Ultimato para tarifa dos EUA sobre o Brasil chega ao fim sem acordo à vista

O prazo estabelecido para que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) tome uma decisão sobre a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre a importação de diversos produtos brasileiros termina nesta quarta-feira, dia 15.

Até agora, as tratativas entre Brasília e Washington permanecem estagnadas, sem nenhuma expectativa de um acordo que evite a aplicação dessa sobretaxa, que pode impactar negativamente as exportações brasileiras.

Esse impasse nas relações comerciais evidencia as dificuldades em harmonizar as agendas econômicas das duas principais potências da América, que se encontram em uma corrida contra o tempo.

Obstáculos ao acordo bilateral

Vários elementos estão dificultando o progresso das discussões. Por um lado, o governo brasileiro se opõe veementemente a modificar as regras do Pix, uma exigência que vem sendo levantada pela parte americana. Por outro lado, a administração Biden hesita em reduzir a elevada sobretaxa aplicada ao açúcar proveniente do Brasil.

Para agravar ainda mais a situação, os Estados Unidos exigem que o Brasil elimine completamente as tarifas de importação sobre o etanol americano. Essa demanda é motivo de grande apreensão no setor sucroenergético nacional, já que poderia inundar o mercado brasileiro e causar sérios danos aos produtores locais.

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Pressão política

Especialistas destacam que a iniciativa tarifária dos EUA possui um forte componente geopolítico, indo além da simples disputa comercial. Segundo Paulo Borba Casella, professor de direito internacional da USP, essa postura reflete uma clara tentativa de intervenção na política interna do Brasil. Ele observa que qualquer solução diplomática demandará boa vontade mútua, algo que atualmente parece estar em falta.

Alexandre Pires, professor de relações internacionais do Ibmec-SP, analisa que a Casa Branca está tentando conter a crescente influência econômica e tecnológica da China na América Latina. Com os mercados tradicionais ocidentais se fechando, o Brasil tem buscado estreitar laços comerciais com parceiros asiáticos, o que tem gerado desconforto em Washington.

Resposta do Itamaraty e proposta de barganha

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez críticas severas à ameaça da sobretaxa, alegando que tal medida prejudica uma relação comercial histórica e obstrui os canais de diálogo.

Em resposta à situação adversa, a diplomacia brasileira busca proteger o etanol nacional. A proposta apresentada por Brasília é excluir esse combustível das negociações e exigir, em troca, que os Estados Unidos retirem as tarifas sobre o açúcar brasileiro, cuja taxa chega próxima aos 100% atualmente.

Orientação para exportadores

<p Diante da possibilidade iminente da tarifa adicional, há um clima de incerteza no setor produtivo. Tanto empresas quanto consumidores precisam acompanhar atentamente os próximos movimentos do governo federal, que está considerando potenciais medidas retaliatórias caso os EUA confirmem a imposição da barreira alfandegária.

A recomendação para os exportadores impactados é buscar aconselhamento imediato junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O público em geral pode acompanhar as novidades sobre esse tema pelos canais oficiais do Ministério das Relações Exteriores.

Com informações da Agência Brasil

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