Estudo revela que brasileiro dedica 150 dias anuais apenas para quitar impostos

Começando amanhã, 7 de junho, o trabalhador brasileiro médio finalmente começará a trabalhar para si mesmo. Até a semana passada, todo o rendimento obtido desde janeiro foi destinado ao pagamento de tributos ao governo.

Em 2026, os 150 dias dedicados exclusivamente a quitar impostos representam uma carga tributária efetiva de 41,1%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. Esse índice é o mais elevado desde 2019, quando alcançou 41,8%.

No entanto, essa média oculta uma distorção que tem gerado preocupações entre especialistas há anos.

Quem ganha menos, paga menos. Quem ganha na faixa do meio, paga mais

Aqueles que recebem até R$ 3 mil mensais enfrentam uma carga tributária efetiva de 39,18%, equivalente a 134 dias de trabalho. Para este grupo, o prazo para quitar os tributos se encerra em 23 de maio.

Já os trabalhadores com rendimentos entre R$ 3 mil e R$ 10 mil são os que mais pagam: sua carga é de 43,01%, ou seja, representam 157 dias de trabalho. Este grupo só conseguirá se desvincular das obrigações tributárias em 6 de junho.

Por outro lado, quem possui um salário superior a R$ 10 mil tem uma carga tributária similar à média nacional: 41,1%, totalizando os mesmos 150 dias. Isso significa que essa faixa paga menos do que a anterior. A progressividade dos impostos que deveria aumentar à medida que a renda sobe não funciona de maneira linear no Brasil.

Como chegamos aqui

No ano de 1986, eram necessários apenas 82 dias de trabalho para quitar impostos. Esse número caiu para 73 em 1988 e, desde então, só aumentou.

A maior mudança ocorreu em 2001, quando o total saltou para impressionantes 130 dias. Desde então, essa marca variou entre 140 e 153 dias, com um breve alívio observado durante a pandemia entre 2020 e 2022, quando os impactos econômicos da Covid-19 reduziram essas cifras temporariamente.

No entanto, esse alívio foi passageiro. Em 2023, a carga voltou a crescer e em 2026 atingiu novamente os 150 dias trabalhados para pagamento de impostos, um nível não visto desde os anos de 2012 e 2013.

O que puxou a carga para cima no último ano

A pesquisa se baseou no intervalo entre maio de 2025 e abril de 2026 e identificou diversos fatores que contribuíram para esse aumento.

Um dos principais elementos foi o aumento do ICMS em vários estados: Maranhão passou de 22% para 23%, Rio Grande do Norte subiu de 18% para 20% e Piauí teve um incremento de sua alíquota de 21% para 22,5%. Em abril de 2025, dez estados começaram a aplicar uma alíquota de ICMS de 20% sobre importações dentro do programa Remessa Conforme.

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também teve um impacto significativo nesse período, com aumentos afetando crédito para empresas, operações cambiais, previdência privada e seguros.

No setor das apostas legais que começaram a operar plenamente em 2025, houve um aumento da alíquota sobre receita bruta de12% para15%.

Fintechs e instituições financeiras digitais enfrentaram um acréscimo na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Além disso, empresas que remuneram seus acionistas por meio dos Juros sobre Capital Próprio passaram a pagar Imposto de Renda (IR) com alíquota elevada para17,5%, antes fixada em15%.

Produtos tecnológicos importados também sofreram reajuste no Imposto de Importação em até7,2 pontos percentuais a partir de fevereiro de2026.

A “taxa das blusinhas”, correspondente a20% sobre compras internacionais até US$50 implementada em agostode2024 também foi considerada nos cálculos; embora tenha sido revogada em13de maio.

O problema que os números não resolvem

A elevada carga tributária contrasta com serviços públicos insuficientes. Essa é uma das principais críticas levantadas por estudiosos da área. Após dedicar quase cinco meses por ano ao pagamento dos impostos ao governo brasileiro ainda se enfrenta problemas como saúde pública ineficiente, educação com resultados insatisfatórios e infraestrutura deficiente frente ao volume arrecadado.

Os dados apresentados pelo IBPT revelam quanto é cobrado pelo Estado; no entanto falta uma análise equivalente que mostre o retorno desses tributos à população.

By Negócio em Alta

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