O mercado corporativo vive um paradoxo tecnológico: nunca houve tanta oferta de ferramentas, de modelos fundacionais e Vibe Coding à computação quântica, mas a velocidade de lançamento supera a capacidade de absorção das empresas. Foi com a premissa de que “tecnologia é meio e resultado no negócio é fim” que o The Power Summit: Futuro, realizado em 15 de outubro no Cubo Itaú, em São Paulo, consolidou sua segunda edição.
O encontro, que nasceu a partir do ecossistema The Power Club e é organizado pela PowerOfData, dobrou de tamanho em relação à primeira edição, segundo a organização. Reuniu cerca de 350 pessoas no credenciamento presencial, além do público online, de setores como financeiro, varejo, indústria, telecomunicações, energia e serviços. Entre os convidados presentes, cerca de 4 em cada 10 ocupam cargos de diretoria, sócios, fundadores ou C-level, e quase metade atua em empresas com faturamento de R$ 100 milhões ou mais. Na pesquisa de satisfação respondida por 74 participantes, o evento obteve NPS de 86.
O fim do deslumbramento: a “ressaca da IA” e a busca por ROI
A expansão do evento para um dia inteiro de programação reflete uma demanda urgente das lideranças brasileiras: sair da fase de testes e encontrar retorno sobre o investimento (ROI). Dalmer Sella, CEO da PowerOfData, destacou o motivo que levou à ampliação do encontro:
“Nós olhamos para a disponibilidade de conteúdo de inovação e para os assuntos que estão na fronteira, desde modelos fundacionais até a pergunta que o mercado ainda carece de resposta: como fazer ROI com projetos de IA? Nós tínhamos respostas para essas perguntas.”
Essa transição da euforia para o pragmatismo deu o tom ao painel de abertura, “A Ressaca de IA”, que reuniu Dalmer Sella, Bruno Jardim (PowerOfData), Anderson Soares (AI Brasil e CEIA), Marcelle Paiva (Oracle) e o Dr. Elias Sfeir (ANBC). Para Anderson Soares, VP da AI Brasil e fundador do CEIA (Centro de Excelência em Inteligência Artificial), o momento representa o amadurecimento necessário do ecossistema nacional:
“O evento representa a consolidação de um mercado que está acontecendo. Debater a ‘ressaca da IA’ é fundamental, porque o excesso de conteúdo e o hype muito grande causam efeitos colaterais que, se bem debatidos, tornam-se saudáveis para consolidar o tema nas organizações e contribuir para a competitividade das empresas brasileiras.”
Ao lado da busca por retorno financeiro, a governança de dados e de IA emergiu como preocupação central nas salas de conselho. Cássio Pantaleoni, Associate Partner da PowerOfData, ressaltou que o interesse dos executivos pelo tema deixou de ser teórico:
“Quem esteve aqui lidera as iniciativas mais relevantes de IA dentro de suas organizações. Pude perceber um interesse muito legítimo sobre governança, que é um tema que hoje preocupa todas as companhias.”
Arquitetura de Transformers e inteligência aplicada ao crédito
Bruno Jardim, CTO da PowerOfData, apresentou como a empresa desenvolveu uma arquitetura própria de Transformers voltada para o processamento avançado de dados tabulares e comportamentais, inspirada em pesquisas de ponta de gigantes globais como FICO e Nubank:
“Estamos falando de uma nova forma de processar e olhar para o dado. Por meio de uma pesquisa profunda da nossa área de P&D em matemática e computação, desenvolvemos a nossa própria arquitetura de Transformer. Esse novo olhar melhora os modelos estatísticos, o que significa menos fraudes, mais assertividade na saúde e nas fintechs, melhor concessão e manutenção de crédito e redução da inadimplência.”
A aplicação transversal dessa inteligência de dados também foi destacada por Daniel Ramos, CEO da Smart Compass:
“O mais importante que a PowerOfData promove aqui é conectar diferentes frentes na mesma discussão, desde quem opera carteiras de varejo, até quem atua no crédito de atacado.”
Mudança de paradigma: Vibe Coding e Computação Quântica
Alexandre Messina, Partner no Brasil da Lovable, abordou como o desenvolvimento orientado por prompts (Vibe Coding) está invertendo a lógica histórica do mercado de software:
“Até então, toda empresa precisava adaptar o seu processo interno ao SaaS disponível no mercado. O que acontece agora é o contrário: o software se adapta ao seu processo.”
Olhando para o próximo salto disruptivo, o econofísico Luiz Augusto, especialista em Computação Quântica da Venturus, levou ao evento um chip quântico real para demonstrar que a tecnologia já saiu do campo puramente acadêmico e recebe mais de US$ 80 bilhões em investimentos globais:
“O ‘GPT Day’ da computação quântica ainda não surgiu, mas vai surgir. A empresa que estiver olhando para esse assunto e minimamente preparada vai surfar essa onda e crescer muito; quem não começar a olhar pode enfrentar um maremoto pela frente.”
Financiando a inovação: o papel estratégico da Lei do Bem
Anderson Manduca, CEO da Assessoria do Bem, explicou como empresas enquadradas no regime de Lucro Real podem utilizar a legislação para autofinanciar sua transformação tecnológica:
“Se a empresa investe em pessoas, serviços e tecnologia no dia a dia, ela pode utilizar essa despesa para reduzir seus impostos e usar a inovação como acelerador do próprio negócio.”
A tecnologia como meio para a tomada de decisão
Encerrando a jornada no Cubo Itaú, Rauhe Abdulhamid, CMO da PowerOfData, fez um balanço do crescimento do evento e reforçou o posicionamento da companhia diante da maturidade do mercado brasileiro:
“Criamos o The Power Summit a partir do The Power Club como o nosso evento principal do ano, reunindo as principais lideranças, parceiros e clientes para mostrar o que está na vanguarda tecnológica com foco sempre em resultados. Nosso objetivo não é tratar a tecnologia como fim, mas como meio para atingir resultados.”
A programação também incluiu painéis sobre cobrança e sobre conformidade bancária com IA e dados, demonstrações práticas de soluções na Sala 1, sessões de Hot Seat, um workshop da PoD Academy e um almoço reservado a C-levels.
Serviço
The Power Summit: Futuro, 2ª edição
Data: 15 de outubro de 2026, das 8h30 às 20h30
Local: Cubo Itaú, Vila Olímpia, São Paulo (SP)
Realização: PowerOfData, com o ecossistema The Power Club
Sobre a PowerOfData
A PowerOfData (PoD) é uma empresa brasileira de dados e inteligência artificial, com receita recorrente de software e serviços de consultoria, e é a organizadora do The Power Summit.

