Crescimento do setor de eventos sinaliza virada estratégica na relação entre marcas e público

Especialista aponta que o avanço reflete maior maturidade do mercado e exigência por entregas mais completas

O mercado de eventos vive um dos seus momentos mais aquecidos. Dados recentes da ABRAPE (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos) mostram que o setor movimentou R$ 25,33 bilhões apenas no primeiro bimestre de 2026, além de ultrapassar 205 mil empregos. Mais do que volume, o cenário revela uma transformação profunda: o reposicionamento dos eventos dentro das estratégias de marca.

Com 29 anos de atuação no mercado, Flavia Morizono, diretora de operações da Joia | Experiências Que Transformam, explica que o avanço não representa um pico isolado, mas um novo estágio de maturidade do setor. “A gente não olha para esse crescimento como algo pontual, mas como uma consolidação. Os eventos deixaram de ser uma ação tática e passaram a ocupar um papel estratégico dentro das marcas”, afirma.

Nesse contexto, a lógica da entrega também mudou: “Em um mercado aquecido, não é mais sobre ‘fazer evento’. É sobre entregar experiência e resultado com consistência. Isso exige clareza estratégica desde o briefing, criatividade com propósito e uma operação extremamente bem executada”, defende.

A executiva destaca ainda que o cliente atual está mais exigente e menos tolerante a erros ou soluções superficiais. “Hoje, o diferencial está na capacidade de antecipar problemas, trazer segurança e, principalmente, pensar junto com o cliente. Não existe mais espaço para uma atuação apenas operacional. O cliente não quer fornecedor, quer parceria real”. E é essa mudança é impulsionada, também, por um novo comportamento do consumidor, que passou a valorizar conexões mais genuínas com as marcas. “As pessoas estão mais seletivas e menos impactadas pela comunicação tradicional. Elas querem viver, sentir e se conectar. E o evento, quando bem construído, entrega isso de uma forma única”, diz Flávia.

Na prática, isso posiciona os eventos como uma plataforma estratégica dentro do marketing. “Hoje, eles integram branding, relacionamento, conteúdo e até geração de negócios. Muitas vezes, são o ponto de partida de toda uma narrativa que depois se desdobra em outras frentes. O evento deixa de ser fim e passa a ser meio.”

A Joia | Experiências Que Transformam – com 13 anos de excelência no mercado – já sente esse movimento no dia a dia. Segundo Flávia, o primeiro trimestre foi marcado por aumento no número de projetos, novos clientes e maior recorrência e, sobretudo, por demandas mais maduras. “Os briefings estão mais estruturados e as expectativas mais claras em relação a resultado. Isso mostra que o mercado está evoluindo, não só crescendo”.

Entre os projetos em destaque estão aqueles voltados à experiência de marca e relacionamento, com forte presença de setores como tecnologia, varejo e beleza. Para os próximos meses, a tendência é de um crescimento mais qualificado, guiado por inteligência e estratégia. “A personalização, o uso de tecnologia e inteligência artificial, experiências mais exclusivas e a busca por métricas mais claras devem continuar impulsionando o setor”, afirma.

Diante desse cenário, Flávia reforça uma mudança essencial na forma como as empresas encaram o investimento em eventos e dá uma dica: “O principal é deixar de olhar como custo e passar a enxergar como investimento estratégico. Quando bem estruturado, o evento tem um poder de conexão e geração de valor muito alto. Mas tudo começa pelo objetivo: sem estratégia, o evento é só uma execução”.

Denise de Almeida
11997537360
[email protected]
By Negócio em Alta

Relacionados