Desde o primeiro pedido da imprensa para divulgar resultados, essa questão passou por quatro instâncias da Justiça durante 61 dias. Exames do presidente Bolsonaro apresentam resultado negativo para o novo coronavírus
Os exames do presidente Bolsonaro, entregues pela Advocacia-Geral da União ao Supremo Tribunal Federal, deram negativo para o novo coronavírus. Desde o primeiro pedido da imprensa para divulgar resultados, essa questão passou por quatro instâncias da Justiça durante 61 dias.
O presidente Bolsonaro fez o primeiro exame no dia 12 de março. No dia seguinte, o jornal O Estado de S.Paulo pediu acesso ao documento. A Presidência não mostrou, e o jornal entrou na Justiça. Ganhou na primeira e na segunda instâncias. A Advocacia-Geral da União recorreu ao Superior Tribunal de Justiça e conseguiu suspender a divulgação na sexta-feira passada. O jornal, então, foi ao Supremo.
Quando o ministro Ricardo Lewandowski se preparava para tomar uma decisão, na noite de terça (12) a Advocacia-Geral da União, que cuida dos processos da Presidência da República, se antecipou e espontaneamente entregou os resultados de três exames de Bolsonaro ao STF. O ministro Lewandowski decidiu tornar pública toda a documentação.
Nos três exames apresentados pela AGU, constam resultado negativo, vírus ‘’não detectado’’. Os exames não contêm o nome do presidente Jair Bolsonaro.
A Secretaria-Geral da Presidência afirma que foram apresentados nomes fictícios ao laboratório particular de Brasília que fez os dois primeiros exames em material que teria sido coletado no Hospital das Forças Armadas nos dias 12 e 17 de março. Mas o CPF e a data de nascimento que aparecem nos documentos são, de fato, do presidente Jair Bolsonaro. Num terceiro exame, feito no dia 18 de março no laboratório da Fiocruz, o nome aparece como “paciente 05”.
Todos os exames apresentados pela Presidência são do tipo RT-PCR, que detecta se há a presença no vírus no organismo. Não houve apresentação, e não se sabe se o presidente Bolsonaro fez um outro tipo de exame, o sorológico, que detecta a presença de anticorpos no organismo. Esse exame descobre se a pessoa teve contato com o vírus, mesmo que de forma assintomática.
A Secretaria-Geral da Presidência alega que usou nomes fictícios para ‘’preservar a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem, bem como por questões de segurança’’.
Bolsonaro fez os exames logo depois de voltar de uma viagem oficial aos Estados Unidos no dia 11 de março. Vinte e três pessoas próximas a ele pegaram a doença: integrantes da comitiva brasileira, ministros e assessores próximos, inclusive alguns que não participaram da viagem.
Diante da apresentação dos documentos, o ministro Ricardo Lewandowski considerou a reclamação prejudicada e deu o caso por encerrado.
A Fiocruz confirmou que recebeu e processou amostras enviadas pelo Palácio do Planalto e que o material enviado não tinha o nome do presidente Bolsonaro.
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