SP registra 2.511 mortes por coronavírus e casos confirmados no estado passam dos 30 mil


Foram registradas 136 novas mortes nesta quinta-feira (30). A Grande São Paulo tem cerca de 89% dos leitos das UTIs ocupados. Imagem aérea feita nesta quarta-feira (29) de de valas abertas no Cemitério Nova Cachoeirinha, na Zona Norte de São Paulo
André Pera/Estadão Conteúdo
O número de mortes provocadas pelo coronavírus no estado de São Paulo chegou a 2.511 nesta sexta-feira (1), segundo o Ministério da Saúde. Foram registradas 136 mortes na quinta-feira (30) , aumento de quase 6% em um dia, e o número de casos confirmados passou dos 30 mil: 30.374.
O balanço indica que foram confirmados 6 óbitos por hora no estado. A mortalidade já é verificada em quase ¼ dos municípios de SP. Entre as 645 cidades, 151 têm uma ou mais vítimas fatais da Covid-19.
Do total de pessoas que faleceram com a doença, 36% moravam em cidades do interior, litoral e Grande São Paulo, que totalizam 904 óbitos.
Leitos
Os dados desta sexta totalizam 30.374 pessoas infectadas pelo vírus, em 329 cidades, o que equivale a 51% de todos os municípios de São Paulo
Até 30 de abril, havia 8,6 mil pessoas internadas em hospitais do estado, sendo 3.305 pacientes em UTI e 5.295 em enfermaria. Especificamente em UTI, as taxas de ocupação eram de 69,3% no estado de São Paulo e 89,1% na Grande São Paulo.
Perfil
Entre as vítimas fatais, estão 1.470 homens e 1.041 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 73,6% das mortes.
Observando faixas etárias subdividas a cada dez anos, nota-se que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (626 do total), seguida por 60-69 anos (561) e 80-89 (492). Também faleceram 169 pessoas com mais de 90 anos. Fora desse grupo de idosos, há também alta mortalidade entre pessoas de 50 a 59 anos (330 do total), seguida pelas faixas de 40 a 49 (202), 30 a 39 (98), 20 a 29 (24) e 10 a 19 (8), e um com menos de dez anos.
Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (60,5% dos óbitos), diabetes mellitus (43,9%), doença renal (11,9%), doença neurológica (11,3%) e pneumopatia (10,9%). Outros fatores identificados são imunodepressão, obesidade, asma e doenças hematológica e hepática.
Esses fatores de risco foram identificados em 2.035 pessoas que faleceram por Covid-19 (81%) do total.
Testes
Nesta quinta-feira (30), o governo de São Paulo teve a primeira reunião com o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, desde que ele assumiu o cargo. O estado pediu ao governo federal 4 milhões de testes rápidos.
“Ele colocou quais são suas linhas de atuação. Então a primeira delas: a manutenção do programa anterior, pra que não haja solução de contiguidade. A segunda, a manutenção do isolamento social, o ministro defendeu a manutenção do isolamento social. A terceira, a dificuldade da compra de insumos, principalmente de respiradores, o ministro falou claramente com toda a franqueza a dificuldade que o ministério da saúde a semelhança estados e municípios tem na compra desses insumos respiradores e outros materiais que são utilizados em ambientes de terapia intensiva. Também falou da importância do programa de testes, tanto do diagnóstico da doença aguda, através da utilização do exame PCR-RT, como tbm a descoberta dos pacientes que já foram infectados e por conta disso têm sorologia IGG positiva. Então nós entendemos que isso é extremamente alinhado com aquilo que o governo do estado pensa, a secretaria de saúde, e a preocupação do ministro de novas ondas e de infectados. Então, nós entendemos absolutamente adequado e alinhado”, afirmou David Uip, coordenador do Centro de Contingência para o coronavírus.
Marginal Pinheiros registra grande movimento de carros na manhã nesta quinta (30)
Reprodução/TV Globo
A cidade de São Paulo terá a quarentena prorrogada após o dia 10 de maio e vai adotar restrições mais rígidas para impedir o avanço do coronavírus na cidade. Nesta quarta-feira (29), a cidade registrava 1.456 mortos pela doença.
“Já há uma decisão tomada, nós não temos como relaxar as medidas de isolamento a partir do dia 10 de maio. Na capital é absolutamente impossível fazermos isso, ao contrário, nós estamos iniciando uma discussão na prefeitura para que a gente possa fortalecer algumas dessas medidas para que a gente consiga fazer com que o isolamento na cidade possa crescer desse patamar de 48%”, afirmou o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido.
Mortos por coronavírus já são quase o dobro do número de assassinatos registrados em 2019
A partir do dia 11 de maio, o governo do estado deve flexibilizar o funcionamento do comércio em algumas regiões em que há poucos casos da Covid-19.
Entre as novas restrições, a Prefeitura de São Paulo deve bloquear algumas vias da cidade. “Você faz um processo de bloqueio e você reduz muito [tráfego] fazendo com que as pessoas se desestimulem a sair de casa, sobretudo nas regiões onde a pressão no sistema de saúde tem aumentado continuamente”, disse Aparecido. Entre as regiões que devem ter os bloqueios estão Brasilândia, no extremo Norte da capital. O distrito de Brasilândia registra o maior número de mortos da cidade, com 81 mortes até o dia 24 de abril.
Aumento de notificações

Com isolamento social em torno de 48% nos últimos dias, a cidade de São Paulo teve um aumento significativo de novos casos confirmados da doença, passando de uma média de 812 notificações por dia para 3.400, segundo a Secretaria Municipal da Saúde.
“Se nós acrescentarmos ao número de mortes confirmadas, as mortes suspeitas, nós ultrapassamos 3.100 pessoas na cidade, o que é bastante grave. E, nos últimos 4, 5 dias, houve uma mudança significativa dos números a partir de sexta-feira (24). Do dia 26 de fevereiro, quando teve o primeiro caso na cidade até o dia 23 de abril, nós tivemos 45.518 notificações, uma média de 812 notificações por dia. Em apenas 3 dias, dia 24, 25 e 26 [de abril], isso saltou para 56 mil notificações. Ou seja, nós saímos de 812 para pouco mais de 3.400 notificações por dia”, afirmou Edson Aparecido.
A falta de adesão da população ao isolamento social preocupa o governo, já que o reflexo da contaminação pode ser refletido em uma média de 10 a 15 dias, quando deve ser registrado o pico da doença no mês de maio. Com o aumento repentino de casos de coronavírus na cidade, o sistema de saúde fica sobrecarregado e não consegue absorver novos pacientes.
“Isso significa que nós estamos começando de uma maneira muito acelerada o processo de disseminação da doença na cidade e obviamente seus óbitos. Não há menor sombra de dúvida que definitivamente nós iniciamos a subida dessa chamada curva em uma velocidade muito acentuada”, argumentou.
Para o secretário, o isolamento social em São Paulo fez com que a doença demorasse mais para chegar ao interior do estado.
Bairros com maior números de mortes até 24 de abril:
Brasilândia (Zona Norte) – 81 mortes
Sapopemba (Zona Leste) – 77 mortes
São Mateus (Zona Leste) – 58 mortes
Cidade Tiradentes (Zona Leste) – 51 mortes
Vila Nova Cachoeirinha (Zona Norte) – 50 mortes
Sacomã (Zona Sul) – 50 mortes
Freguesia do Ó (Zona Norte) – 47 mortes
Capão Redondo (Zona Sul) – 46 mortes
Ranking dos bairros de São Paulo que registraram os maiores números de mortes confirmadas ou suspeitas de coronavírus até 24 de abril
Divulgação Prefeitura de SP
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