Pacientes cardíacos pedem a volta das consultas suspensas durante a pandemia: ‘É um pedido de socorro’, diz parente

Sem normalização do atendimento, estado de saúde dos doentes só piora. Pacientes do Instituto Nacional de Cardiologia pedem volta de consultas
Pacientes cardíacos pedem a volta das consultas nos hospitais públicos, que foram suspensas durante a pandemia.
E, enquanto o atendimento não é normalizado, o estado de saúde dos doentes só piora.
É o caso do idoso João Batista, de 77 anos. Segundo o genro dele, João precisa urgentemente de um marca-passo e não pode esperar. Já são cinco meses sem conseguir ver um médico.
“Ele fez uma consulta, foi em agosto do ano passado. Fez uma solicitação de um exame com urgência devido à gravidade quando ele chegou lá. Isso, com urgência, foi marcada após sete meses. E aí conseguimos fazer o exame em março. Mas agora a gente não consegue marcar a volta do meu sogro pra consulta com médico pra fazer avaliação”, conta o genro Henrique Rodrigues.
Os parentes de João contam que o Instituto Nacional de Cardiologia informou a eles que todas as consultas só serão marcadas depois da pandemia. O medo da família é o que os exames que o seu João já fez percam a validade. Os parentes estão preocupados, porque o estado de saúde do idoso só piora.
“Há dois anos e meio que a gente vem nessa luta. E a gente não tá conseguindo. Agora ele vem passando mal constantemente. Ele não consegue andar cem metros que ele fica muito cansado, passando muito mal”, diz Henrique.
Já o balconista Bruno Fonseca tem 28 anos e mora em Paracambi. Ele tem cardiomiopatia hipertrófica, quando o músculo do coração fica maior do que deveria.
“Eu já estou com 75% de fibrose e, no caso, a minha situação já se encontra num estado grave, a qual eu preciso ser encaminhado para um transplante”, fala Bruno.
Ele faz tratamento no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, na Zona Norte. Mas precisou de um exame no Instituto Nacional de Cardiologia.
“A médica me passou o encaminhamento no qual ela estava me direcionando para o Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras, pra eu fazer um exame pra ver qual é a situação do meu coração, pra ver a capacidade do meu coração que ainda tá funcionando”.
Mas ele não conseguiu atendimento no Instituto de Cardiologia e seu quadro só se agrava.
“Ou seja, em repouso eu fico melhor, agora quando eu saio pra ir andar, ou resolver alguma coisa, eu praticamente passo mal”, relata.
As famílias e os pacientes precisam que as consultas e os exames voltem o quanto antes.
“Estou aqui fazendo um pedido de socorro. Que as autoridades possam nos escutar e possam marcar essa consulta para o meu sogro e que ele consiga colocar esse marca-passo que ele tanto precisa”, apela Henrique.
“Agora a minha situação se agravou mais, ou seja, já estou em ponto de transplante. Tem sido muito difícil pra mim, então preciso urgentemente dessa vaga no Instituo Nacional de Cardiologia de Laranjeiras pra poder conseguir tentar fazer esse transplante, pra eu poder ter uma vida normal novamente”, diz Bruno.
O que dizem os citados
O Instituto Nacional de Cardiologia disse que o atendimento de urgência foi mantido durante a pandemia, inclusive cirurgias e transplantes, e que os pacientes devem estar inscritos no Sisreg para acessar as vagas de procedimentos de alta complexidade, como transplantes.
O instituto disse ainda que manteve o tele atendimento durante a pandemia e que apenas o atendimento eletivo presencial foi suspenso, porque os cardiopatas têm uma alta taxa de evolução grave no caso de contaminação por Covid-19.
Segundo o INC, os pacientes já estão sendo contatados e vão ser remarcados. O instituto diz que quem ainda não foi contatado deve ligar para os telefones 3037-2197 ou 2285-3344.
Sobre o caso do seu João, o instituto disse que na última consulta foi considerado que não havia necessidade de colocação de marca-passo. O INC pede que, no caso de piora de sintomas, ele faça contato com os telefones do instituto.

By Negócio em Alta