Missas, chamadas de vídeo e informação: idosos usam internet para contornar isolamento em Uberaba


Integrantes do grupo de risco da Covid-19, pessoas com mais de 60 anos se aproximam das tecnologias durante quarentena. Professora dá dicas para ensiná-las no uso de aplicativos. Sem abraços, sem visitas, mas conectados. Se a pandemia do novo coronavírus provocou o distanciamento social e físico, por outro lado aproximou através da tecnologia.
Parte do grupo de risco da Covid-19, muitos idosos aproveitaram o momento para uma imersão completa no mundo digital.
Leonda Flores acompanha missas na internet em Uberaba
Reprodução/TV Integração
Em Uberaba, por exemplo, há idosos acompanhando celebrações religiosas ao vivo pela internet, conversando com amigos e parentes via chamadas de vídeo e até participando de um canal de humor nas redes sociais.
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Leonda Flores, de 88 anos, deu um jeito de continuar assistindo às missas durante a quarentena.
Com a ajuda da neta e de um computador, ela acompanha as missas pela internet todos os dias e em qualquer cômodo da casa.
“Assistir na igreja é melhor, mas nesse caso, temos que nos conformar em assistir em casa”, disse Leonda em entrevista à TV Integração.
Padre Fabiano Roberto celebra missas na internet em Uberaba
Reprodução/TV Integração
O padre Fabiano Roberto, pároco da igreja São Geraldo Magela, em Uberaba, transmite as celebrações diariamente na web e afirma que o número de fiéis conectados segue aumentando.
“A gente recebe vários recados dizendo que, transmitindo a missa todos os dias, eles sentem menos falta. Auxiliado por um parente, eles podem rezar conosco, participar da missa e se sentirem mais próximos da comunidade, já que estão no isolamento social”, explicou o padre.
No caso do Salvador Moreira, de 73 anos, o baralho, a sinuca e o forró ficarão para depois da pandemia.
Mas para diminuir a distância entre os amigos e parentes, o idoso joga conversa fora pelas chamadas de vídeo e usa o celular também para se informar.
“Eu fazia caminhada duas vezes por semana, depois jogava truco com meus colegas, sinuca e, na sexta-feira, a gente ia para o forró. Agora faço chamada de vídeo, mensagem de voz, então, todos estão sempre comigo”, contou Salvador.
Salvador Moreira troca diversão por vídeochamadas durante isolamento
Reprodução/TV Integração
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Para distrair a mente e deixar o clima mais leve em casa nesse período, o humorista Luciano Guima transformou a mãe, Santinha, em personagem do canal de vídeos que comanda.
No último vídeo publicado, aproveitou para fazer uma paródia de conscientização sobre o coronavírus.
“O Luciano inventou de fazer uns vídeos, umas coisas esquisitas, com a minha participação. Entrei nesse mundo da internet, estou ficando doidinha, mas até que estou gostando disso”, falou Santinha.
Humorista Luciano Guima transformou a mãe Santinha em personagem dos vídeos de humor
Reprodução/TV Integração
Paciência ao ensinar
Apesar da resistência ao uso da tecnologia por parte de alguns idosos, a inserção no mundo digital pode ser a saída para minimizar os efeitos da pandemia, como mostrou Leonda, Salvador e Santinha. Nem todos, porém, têm facilidade em usá-la.
Ao G1, a professora de Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mirna Tonus, explicou que o bom uso da internet, das redes sociais e das tecnologias disponíveis ajuda a encurtar distâncias, entreter e informar.
Por outro lado, pede paciência aos familiares para ensinarem os idosos nesse processo.
“Precisa ter um pouco de paciência, porque eles podem demorar a se habituar a usar aquilo, onde clica, essas coisas. Temos que ajudá-los a identificar os elementos que vão precisar, como o botão de iniciar e desligar, o símbolo do microfone, da câmera, independentemente da plataforma”, pontuou Mirna, reforçando ainda para as necessidades de cada um, como audição, visão, entre outros.
G1 Fato ou Fake chega informações sobre diversos assuntos, como o coronavírus
Ali Shirband/Mizan News Agency via AP
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Aos que buscam informações na internet, como Salvador Moreira, cuidado com as fake news sobre qualquer assunto.
A professora da UFU alerta para alguns pontos que podem ser levados em consideração antes de acreditar no que está lendo ou vendo.
“Tem que buscar informação em fontes confiáveis. Emissoras de TV e rádio, por exemplo, mantêm a mesma apuração nos sites. Se não sabe de onde vem, quem cuida daquele site, é uma fonte para desconfiar. Dialogar com outras pessoas sobre a informação também é importante. Analisando alguns fatores temos uma chance menor de cair nas notícias falsas”, finalizou.

By Negócio em Alta