Ministro diz que noticiário sobre coronavírus provoca ‘clima de terror’


Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) voltou a criticar noticiário da imprensa e pediu destaque para os casos de pessoas que se recuperaram da contaminação pelo coronavírus. O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, durante entrevista no Palácio do Planalto em julho do ano passado
Guilherme Mazui/G1
O ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, voltou a criticar o noticiário sobre coronavírus durante apresentação dos 500 dias do governo Jair Bolsonaro nesta sexta-feira (15) no Palácio do Planalto.
Segundo ele, as notícias transmitem um “clima de terror”. No último dia 22, Ramos criticou “imagens de caixão e corpo” nos telejornais e pediu à imprensa que mostrasse “coisa positiva”.
Até esta sexta-feira (15), segundo levantamento exclusivo do G1 junto às secretarias estaduais de saúde, o Brasil acumulava 14.455 mortes provocadas pela covid-19, doença provocada pelo coronavírus, e 212.198 casos confirmados da doença.
“Como diz a Bíblia, não sabemos o dia e a hora. Mais um dado que não é covid – a pneumonia: 80 mil. Todo mundo aqui deve andar de carro, deve andar de ônibus, pratica esportes. A média de mortes por ano de queda, afogamento, acidente automobilístico, lesões provocadas por toda a ordem: 164 mil mortes. Os números são impactantes, mas nem por isso é instaurado um clima de terror”, declarou o ministro.
Para ele, é uma “questão de bom senso” – “Podem me criticar: ‘O general, o ministro, só quer notícias boas'”, disse.
Ramos usou como exemplo a manchete da edição desta quinta-feira (14) do jornal “O Globo”: “Brasil passa a França e já é o 6º país com mais casos” – ele exibiu a capa da edição, mas omitiu o logotipo do jornal.
“Interessante é o seguinte: a população brasileira são 209 milhões de pessoas. O Brasil é um país continental. E aí o jornal pega e faz uma comparação com a França, que a intenção é assustar. ‘O Brasil passou a França, o caso é terrível, é um terror'”, afirmou.
Para o ministro, “a imprensa tem que ter consciência que ela tem um peso muito grande com o que ela anuncia, com o que ela veicula”.
Segundo ele, mencionando um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), os sintomas de estresse e ansiedade aumentaram com a epidemia do coronavírus. Ele atribuiu isso à imprensa.
“Um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, uma universidade de renome, diz que as ocorrências de ansiedade e estresse que estão sendo causadas neste momento pelas notícias e pelo temor, para não dizer terror de grande parte da população, aumentou 80% durante a pandemia”, afirmou.
Ramos disse que não minimiza as mortes, mas pediu mais destaque para os casos de pessoas que se recuperaram da doença ou estão em recuperação.
“Se somarmos os brasileiros salvos ou em recuperação, fiz a conta, 188,9 mil pessoas estão salvas. Mas o número para causar o terror, o número para assustar, é 202,9 mil. Se os senhores fizerem a matemática simples, essa diferença está dando 13,9 mil”, afirmou.

By Negócio em Alta