Isolamento social e restrição de atividades são prorrogados no Amapá até 18 de maio


Governo e prefeitura de Macapá mantêm regras dos decretos anteriores, mas reforçam rigidez no controle de pessoas em serviços essenciais, como supermercados, atacadões e afins. Clécio Luís e Waldez Góes assinando decretos de prorrogação
John Pacheco/G1
Foram prorrogados por mais 15 dias – até 18 de maio – os decretos estadual e municipal que limitam o funcionamento do comércio apenas para atividades não essenciais e reforçam as medidas de isolamento social no Amapá e na capital Macapá. A assinatura dos documentos aconteceu neste domingo (3).
Com a terceira prorrogação, o estado vai completar, ao fim do prazo, 60 dias em ações de quarentena, mantendo suspensão de atividades que gerem aglomerações, eventos com presença de público e fechamento ou limitação de locais de grande circulação.
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A assinatura foi no Palácio do Setentrião, sede do Executivo, pelo governador Waldez Góes (PDT) e o prefeito Clécio Luís (Rede). As ações visam evitar a proliferação e o contágio pelo novo coronavírus, que até este domingo (3) infectou quase 1,5 mil e matou 43 no estado.
A ordem segue os mesmos termos dos decretos anteriores apenas aplicando mais rigidez ao funcionamento de supermercados, atacadões, mercearias e mini-boxes, que devem reduzir o fluxo de pessoas nos estabelecimentos.
Entre as regras, que já estavam definidas anteriormente em nota técnica, mas que agora passam a integrar o decreto, está a entrada de apenas uma pessoa por família nos estabelecimentos, não consumir alimentos dentro dos locais e designação de funcionários para controlar o fluxo de pessoas dentro e fora.
Aumento de casos
Waldez declarou que a prorrogação do decreto, desta vez, foi quase unanimidade entre os poderes e as autoridades de saúde e segurança.
Ele lamentou o aumento de casos – quase 700 em uma semana – e atribuiu o quadro ao aumento da circulação de pessoas motivadas por declarações, entre elas, do presidente Jair Bolsonaro e da desembargadora Sueli Pini, que se manifestaram contrários às medidas de isolamento.
“Estamos na 4ª quarentena e desde a 2ª em diante fomos desafiados a redobrar os esforços, não só o poder público, mas a sociedade, empresas e autoridades de saúde. Dado que algumas falas que vão desde o presidente, repetidas por algumas autoridades. Recebemos cartas abertas que acabam motivando outros a entender que as medidas de restrição e isolamento deveriam ser desafiadas”, declarou.
O governador alertou ainda para o crescimento de casos confirmados entre os testes realizados pela rede pública. Segundo ele, desde o início da pandemia a porcentagem de infectados, dentre os exames feitos, saltou de 20% para quase 80%. Ou seja, de cada 10 testes realizados em 8 é atestada a contaminação pelo novo coronavírus.
“Iniciamos essa semana com aparentemente 45% de positivos e fechamos a semana com 74,5% de positivos, quase 80% de confirmação. Macapá já um caso. Isso é muito forte quando você aumenta a quantidade de pessoas que procuram as Unidades Básica de Saúde, quando se aumenta o percentual de infectados. É desafiador”, reiterou.
Para o prefeito Clécio Luís, a tendência de crescimento de casos deve acentuar nos próximos dias, fator que motivou mais ainda a prorrogação da quarentena. Ele falou em “limite” para tomada de medidas mais drásticas para forçar o isolamento.
“Incrível como a taxa de isolamento regride de acordo com uma declaração, seja de uma autoridade, como o presidente da República, ou uma fake news, como foi o caso de quinta-feira [30]. Nesse dia, foi 41% de isolamento, o ideal é 70%. Temos mantidos em 51% e quando acontece um ‘fenômeno’ diminui”, pontuou.
Para garantir o recolhimento da parcela da população que segue circulando sem motivação precisa, Clécio defendeu fiscalização mais repressiva por parte dos órgãos de controle para combater aglomerações.
“Agora não temos o que fazer a não ser tomar atitudes mais repressivas, mais fortes. De fato, a gente tá vendo, os episódios são contumazes, estamos fechando estabelecimentos. São números aterradores, temos disparados o maior coeficiente de infestação do país”, alertou.
Regras para funcionamento de serviços
Podem funcionar, no comércio, atividades como supermercados, mini-boxes, mercantis, lojas de produtos de limpeza e higiene, postos de combustíveis, padarias, peixarias, açougues e batedeiras de açaí, no horário de 6h às 19h – até 23h na modalidade delivery.
Únicos serviços permitidos para funcionamento 24 horas são: chaveiros, carimbos, farmácias, drogarias e manipulação, hotel e transportadoras, sendo respeitadas todas as regras de proteção à saúde.
Restaurantes, lanchonetes e similares funcionarão sobre a modalidade delivery até as 23h. Fica terminantemente proibido o consumo no local da compra e portas abertas para atendimento ao público.
As feiras fechadas funcionarão das 6h às 18h com revezamento, com 50% de ocupação dos boxes e controle de acesso. As feiras livres poderão funcionar com a liberação de 30% dos feirantes, devendo haver escalonamento dos boxes, com autorização para abrir diariamente, espaçamento entre boxes, um box ocupado intercalado com dois livres.
Em clínicas e laboratórios, o atendimento será por agendamento, observando regras de não aglomeração. Óticas e cartórios farão agendamento e um cliente por hora.
No caso de autopeças; venda de pneus; venda de baterias e acessórios; malharia e indústria de confecção; insumos agropecuários, o atendimento deverá ser feito somente na modalidade delivery.
Funerárias funcionarão 24 horas, com até 10 pessoas no velório e duração máxima de 3 horas, quando for morte natural. Sem velório e caixão lacrado ou cremação, nos casos de morte por coronavírus.
As seguradoras, instituições financeiras e bancos deverão fazer atendimento por telefone e/ou aplicativo, sendo o atendimento preferencial em casos excepcionais, por agendamento das 6h às 18h. As lotéricas devem evitar a aglomeração de pessoas, utilizando distância com espaçamento de, no mínimo, dois metros entre pessoas.
Empresas de construção civil, indústria de cerâmica, marmoraria, distribuidoras de cimento e obras públicas e particulares deverão funcionar na modalidade delivery e, excepcionalmente, quando o consumidor fizer compras no atacado poderá ir buscar no estabelecimento, observando as regras de não aglomeração.
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By Negócio em Alta