Governo publica MP para destravar crédito que não está chegando até empresas

Desde o início da pandemia, o governo promete que o crédito vai chegar aos empresários. A ideia agora é atuar nas garantias desses empréstimos no momento em que os empresários não têm muito o que oferecer aos bancos, como dinheiro em caixa. Governo publica MP para destravar crédito que não está chegando até empresas
O governo federal publicou, nesta terça-feira (2), uma Medida Provisória para tentar destravar o crédito que não está chegando até as empresas durante a pandemia.
João Pedro Franco é do ramo de restaurantes. Tentou, sem sucesso, um empréstimo.
“Eu só conseguia pegar um crédito no valor da garantia e mesmo assim com juros altíssimo, acima de 20% ao ano. Então, por prudência mesmo, fiz a opção de não me comprometer com essa linha de crédito, porque eu sei que a empresa não vai ter dinheiro para pagar”, conta o dono de restaurante.
Uma das principais linhas de crédito criadas pelo governo federal que estão no mercado tem R$ 40 bilhões, mas não decolou. Os juros são de 3,75% ao ano, mas os empréstimos só podem ser acessados por empresas que não demitam seus empregados. Apenas R$ 2 bilhões foram contratados.
Outra linha é para capital de giro, despesas como água, luz, aluguel. Um total de R$ 5 bilhões com juros de 1,25% ao ano. Pouco mais de R$ 3 bilhões foram emprestados.
Desde o início da pandemia, o governo promete que o crédito vai chegar aos empresários. A ideia agora é atuar nas garantias desses empréstimos no momento em que o empresário não tem muito a oferecer aos bancos, como dinheiro em caixa.
O crédito é para pequenas e médias empresas com receita de R$ 360 mil a R$ 300 milhões em 2019. Um fundo garantidor de investimento vai receber R$ 20 bilhões do governo e vai garantir cada empréstimo feito pelo empresário com o banco em até 80% do valor. Mas o programa só estará funcionando no fim de junho e a estimativa do governo é atender a empresas que empregam 3 milhões de trabalhadores.
A Medida Provisória não traz uma taxa de juros para a linha de crédito. Ela ainda vai ser regulamentada. Além disso, a Medida Provisória também altera o programa de apoio a micro e pequenas empresas: vai permitir que a União garanta até 100% das operações de crédito a empresas desse porte. O limite até agora estava em 85%.
O ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega lembra que é um socorro que chega com atraso.
“O governo demorou muito a perceber que essa linha de crédito para as pequenas e médias empresas não iria funcionar. Desde o início, muitos economistas, inclusive eu, sugeriram que tinha que ter uma garantia do governo. Agora, é incompreensível que, depois de tudo isso, o governo ainda vai levar 30 dias, até o final de junho, para regulamentar a operacionalidade dessa linha de crédito. É preciso que ele faça um esforço sério para por isso na rua o mais rapidamente possível. Senão, enquanto ele não age, mais pequenas empresas vão quebrar, mais o desemprego vai aumentar e mais as estatísticas do PIB vão piorar”, disse.

By Negócio em Alta