Governo da Colômbia pede expulsão do Senado de ex-guerrilheiro que confessou ter matado um político conservador nos anos 1990


A Farc enviou à Justiça uma carta na qual revela estar por trás de seis homicídios acontecidos nos anos 1990. Julián Gallo, um dos senadores que foi guerrilheiro, deu entrevista a um jornal e revelou ter sido o executor do atentado em que Álvaro Gómez, um político conservador, morreu. O governo atual da Colômbia, que é crítico ao acordo de paz, quer a saída de Gallo do Senado. Mulher passa por mural contra as FARC e o ex-presidente colombiano (2002-2010) Álvaro Uribe
Juan Barreto / AFP Photo
O governo da Colômbia pediu na quarta-feira (8) a expulsão do Senado de Julián Gallo, um ex-comandante rebelde que confessou ter assassinado, em 1995, o político conservador Álvaro Gómez.
Gómez havia sido embaixador da Colômbia nos EUA, deputado e candidato a presidência do país. Em novembro de 1995, ao sair da universidade onde ele dava aulas, foi assassinado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Há quatro anos, houve um acordo entre o governo e a Farc. Houve um cessar-fogo, o grupo se tornou um partido político que já começou com 10 vagas no Congresso. Foi estabelecido um Tribunal Especial para a Paz para tomar as decisões sobre os anos de conflito.
O atual presidente, Iván Duque, é de um grupo político contrário ao acordo com as Farc.
Como parte do processo, a Farc enviou neste ano uma carta ao Tribunal Especial no qual revela ter sido a organização por trás de seis assassinatos.
Depois disso, Julián Gallo, que também é conhecido pelo nome Carlos Lozada, confessou ao jornal “El Espectador” ter sido o autor do assassinato de Gómez.
Presidente pede renúncia
Duque, o presidente, declarou que, diante da gravidade da confissão recente, o membros da Farc deveriam deixar o Senado.
Segundo Duque, o ex-guerrilheiro deveria renunciar voluntariamente, para não “revitimizar” a família do dirigente assassinado na década de 1990. Caso contrário, disse esperar que a Justiça atue e retire a “representação parlamentar” do senador.
Gallo disse que não vai renunciar, segundo o jornal “El País”.
O Ministério Público fez um pedido para que Gallo e um outro líder da Farc, Rodrigo Londoño (também conhecido como Timochenko) prestem depoimentos no Tribunal Especial.
Veja uma reportagem de 2018 sobre as eleições em que as Farc participaram.
Colômbia realiza eleições legislativas com estreia das FARC

By Negócio em Alta