
Desde que assumiu o Ministério da Saúde, o Amazonas é o primeiro estado do Brasil visitado por Teich. Ministro da Saúde durante visita a Manaus no domingo (3)
Diego Peres/Secom
O Ministro da Saúde, Nelson Teich, se reuniu neste domingo (3) com autoridades do Amazonas. Teich está na capital do estado para discutir o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, que deixa o Amazonas em um dos piores cenários do país, com colapso no sistema público de saúde e, também, no sistema funerário. São mais de 6,6 casos da Covid-19.
Desde que assumiu o Ministério da Saúde, o Amazonas é o primeiro estado a ser visitado por Teich.
O ministro desembarcou na cidade no fim da tarde e seguiu para a sede do Governo do Estado. Lá, ele e o secretário executivo do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello, se reuniram com o Governador Wilson Lima e outras autoridades do Estado e da Prefeitura. Depois da reunião, a portas fechadas, Teich participou de uma transmissão pela internet.
Sobre a situação da pandemia, o ministro da Saúde disse que o Governo Federal mapeia todo o país de forma detalhada, o que, segundo ele, permite antecipar os locais onde a doença pode crescer rapidamente e sobrecarregar o sistema de saúde.
“É uma doença que chega com uma capacidade enorme de sobrecarregar qualquer sistema. Tanto que não é um problema nosso, de Manaus, Amazonas, é um problema do mundo. A gente tem focado aqui em Manaus, focado no Estado. Estamos aqui para ajudar o Brasil”, disse Teich.
O secretário executivo do Ministério da Saúde confirmou a contratação de profissionais de saúde para atuação no combate à Covid-19. Os profissionais destinados ao Amazonas foram cadastrados no programa “Brasil conta Comigo”. Eles começam a atuar no estado nesta segunda-feira (4). A capital amazonense é a primeira cidade do estado a receber os novos profissionais.
“Isso vai fazer com que a agente atenda o mais rápido possível o estado e municípios do interior. Outras contratações podem seguir nas sequências e, com isso, a gente vai atendendo todas das demandas de pessoal que se fizer necessário”, disse Pazuello.
Desde o registro do primeiro caso da Covide19 no Amazonas em 13 de março, os números de pessoas contaminadas crescem a cada dia. A alta demanda de pacientes com suspeitas da doença, junto a pessoas com outras enfermidades, causou um inchaço no sistema de saúde.
CAOS NO SISTEMA DE SAÚDE: Frigoríficos são instalados em cemitério de Manaus para comportar caixões; vídeos mostram fila de carros funerários
De acordo com a Secretária de Saúde Estadual, atualmente a taxa de ocupação dos leitos de UTI é de 89%, mas o índice já chegou a alcançar 96% em abril.
Além da falta de mão de obra nas unidades de saúde, o sistema de saúde também registrou falta de insumos. Por conta da situação precária, quatro aeronaves da Força Aérea trouxeram, no fim de semana, mais de 450 mil equipamentos de proteção individual, como máscaras, luvas e aventais, álcool em gel, além de respiradores e cilindros de oxigênio para serem distribuídos em hospitais e pronto socorros do estado.
Com o aumento no número de mortes, o sistema funerário também está sobrecarregado. O feriado de sexta-feira (1º), por exemplo, registrou 151 sepultamentos nos cemitérios públicos e privados. A média diária de enterros antes da pandemia era de 30. Segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana, entre as causas de morte, 12 pessoas tiveram no atestado a confirmação para Covid-19.
Como medida para atender a demanda, a Prefeitura passou a enterrar vítimas de Covid-19 em valas comuns, chamadas pelo órgão de trincheiras. O empilhamento de caixões também chegou a ser adotado no Cemitério de Aparecida – o maior de Manaus, mas foi cancelado depois de protesto de familiares. O local também passou a contar com câmeras frigoríficas para comportar caixões.
Corpos de vítimas de Covid-19 são enterrados em valas comuns, em Manaus.
Chico Batata/Divulgação
A implantação de contêineres frigoríficos também foi uma medida adotada para comportar os corpos de vítimas de Covid-19 em hospitais de Manaus, após a repercussão de um vídeo que mostra corpos posicionados ao lado de pacientes internados no Hospital João Lúcio, na Zona Leste de Manaus.
Agenda em Manaus
Nesta segunda-feira (4) em Manaus, o ministro da Saúde participa de reunião no Comando Militar da Amazônia (CMA) pela manhã. Depois, ele visita, ainda, o Hospital Delphina Aziz, referência no tratamento da Covid-19, e segue para os dois hospitais de campanha, um administrado pelo estado e outro administrado pela Prefeitura em parceria com a iniciativa privada.
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