Testes eram realizados em pessoas com suspeita da doença no bairro Santarezinho. Uma delas disse que tinha sido contratada por uma empresa de São Paulo. Uma estudante de enfermagem foi detida no fim da manhã desta quinta-feira (14) após denúncias de que ela estaria realizando gratuitamente testes rápidos para diagnóstico da Covid-19 em pessoas com a suspeita da doença, em Santarém, no oeste do Pará. O caso aconteceu no bairro Santarenzinho.
A Vigilância Sanitária foi acionada pela Polícia Militar após uma estudante de enfermagem ser levada a UIPP do bairro. À equipe, a jovem contou que teria sido contratada por uma empresa de São Paulo para realização dos testes e aplicação de pesquisa de dados. A estudante chegou a apresentar um contrato.
Conforme a Vigilância Sanitária, a empresa Ibope Inteligência não tem autorização para executar tal pesquisa e os testes. “Os testes são de origem duvidosa, pois não temos registro da Anvisa na caixa. Vamos averiguar isso posteriormente”, informou Maurício Figueira Campos, membro da Vigilância Sanitária de Santarém.
Após levantamento de mais informações, a estudante disse que haviam mais testes para serem aplicados e informou onde estavam e quem era a responsável pelos kits. A segunda mulher também foi conduzida à UIPP.
De acordo com o Maurício, a jovem disse ainda que fez um treinamento em um hotel da cidade e que outras pessoas também teriam participado e estavam aplicando os mesmos testes em outros bairros de Santarém. A cada teste realizado, a pessoa que aplicou recebia R$ 17.
“Isso caracteriza o crime de dano à saúde pública, visto que até para profissionais de saúde com sintomas da Covid-19 não conseguem realizá-lo. Não são pessoas despreparadas como estudantes que vão estar fazendo o teste. A gente pede que a população não faça esses testes”, disse completou Maurício.
“A empresa colocou em risco as pessoas que estão aparentemente saudáveis que adentraram as casas de pessoas que podem ser assintomáticos”.
As caixas com kits de testes rápidos foram apreendidos e levados à UIPP. O caso vai ser investigado pela Polícia Civil.
Nota
Em nota, a Unama, universidade a qual a estudante é vinculada, esclareceu que não está realizando testes rápidos para o Covid-19 e nem faz parte de parceria com qualquer empresa para a realização desse tipo de exame. No momento em que aplicava os testes, a estudante usava uma blusa com identidade visual da Unama, apesar do trabalho não ter nenhuma ligação com a instituição de ensino superior.
O G1 tenta contato com a empresa que teria contratado a estudante para a pesquisa e aplicação dos testes, que segundo ela, tem sede em Belém.
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