
Incidência dos mamíferos aumentou nos últimos anos no litoral norte de São Paulo, mas registros costumam acontecer a partir de junho Baleia jubarte é flagrada em Ilhabela antes do período esperado e anima especialistas
Julio Cardoso/Projeto Baleia à Vista
Pesquisadores avistaram uma baleia jubarte nesta terça-feira (12) em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.
Esse é o segundo avistamento de uma baleia jubarte desde o fim de abril, o que animou especialistas que monitoram a presença de animais marinhos no litoral norte. Normalmente, esse tipo de mamífero é visto apenas a partir de junho, quando fazem a migração.
O registro, feito pelo Projeto Baleia à Vista, foi de uma baleia juvenil. Os pesquisadores conseguiram monitorá-la por cerca de quatro horas. Durante o período, a jubarte fez muitos saltos, batidas de cauda, batidas de nadadeira peitoral e chegou bem perto da costeira.
Baleia jubarte é flagrada em Ilhabela antes do período esperado e anima especialistas
Julio Cardoso/Projeto Baleia à Vista
Segundo Julio Cardoso, fundador do projeto, as baleias jubarte costumam passar pela região em junho, quando estão vindo do sul e migrando para o norte.
“Normalmente, quando se apressam, chegam no meio de maio. O normal mesmo é meio de junho e o grupo segue até agosto. Leva tempo para que todos passem. Por ser uma baleia juvenil, pode ser que esteja bem a frente do grupo, desbravando. É muito interessante ver como elas se comportam”, disse.
A notícia anima quem acompanha a vida marinha não só pelo período precoce, mas também pelo indicativo de que mais baleias jubarte devem aparecer no litoral norte neste período de migração.
Baleia jubarte é flagrada em Ilhabela antes do período esperado e anima especialistas
Julio Cardoso/Projeto Baleia à Vista
De acordo com Julio Cardoso, a população das baleias jubarte está crescendo nos últimos anos. No ano passado, só em Ilhabela, foi registrada a passagem de 350 animais desta espécie.
“Nos últimos cinco anos, aumentou muito os registros que a gente tem. Aumentou a população de jubartes. Quando foi proibida a caça, a estimativa era que tinham sobrado duas mil jubartes no Atlântico Sul. A estimativa é que aumentou 10 vezes. Como está havendo expansão, estão buscando novas áreas. Ano passado, registramos 350 jubartes. Eu fiz fotos de 100”, afirmou.
A possibilidade de avistar baleias e outras criaturas marinhas é uma das principais atrações neste período do ano para quem passeia de barco em Ilhabela. No entanto, o especialista reforça para que seja mantida uma distância segura, de pelo menos 100 metros, do mamífero, que não é agressivo, a não ser que se sinta ameaçado.
Vale lembrar que devido à pandemia do coronavírus, neste ano, o turismo está suspenso na ilha, com restrição, inclusive, para o uso de balsas que fazem a travessia de São Sebastião para o município.
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