Amazonas prorroga por mais duas semanas as medidas de restrição contra o novo coronavírus

População não está respeitando as recomendações das autoridades. A saúde do estado beira o colapso com mais de 90% dos leitos ocupados. Governo do Amazonas prorroga por duas semanas recomendações de combate ao novo coronavírus
O governo do Amazonas prorrogou por mais duas semanas as medidas de restrição contra o novo coronavírus. O problema é que a população não tem respeitado as recomendações.
Nas calçadas, as pessoas andam tranquilas, como se nada diferente estivesse acontecendo. Há um decreto do estado que proíbe a abertura do comércio, mas muitos não respeitam. Não há preocupação com o distanciamento entre as pessoas, muito menos com o uso de máscaras, o que é recomendado pela prefeitura. Quem é surpreendido sem, até fica com vergonha.
Nas ruas e avenidas, congestionamento. Entre os carros, dá até para vender sorvete. Uma mostra de que as pessoas não estão respeitando o isolamento social é que, às 17h, ainda há congestionamento em uma avenida da Zona Leste de Manaus.
O governador do Amazonas, Wilson Lima, do PSC, anunciou no final da tarde desta quinta (30) que vai prorrogar até 13 de maio o decreto que permite apenas a abertura de serviços considerados essenciais.
A saúde do estado beira o colapso com mais de 90% dos leitos ocupados e vários doentes que não conseguem ser atendidos nos hospitais. E esse cenário afeta também o sistema funerário, que não consegue atender a população.
Os números oficiais mostram que o Amazonas está com 5.254 casos e 425 mortes por coronavírus, mas o governo admite que há subnotificação de casos. Com a pandemia, a média de sepultamentos diários em Manaus subiu de 30 para 120. De 19 a 29 de abril, foram realizados 1.229 enterros na capital, mas apenas 147 por Covid-19. Só que outras causas de mortes, como síndrome aguda e insuficiência respiratória, sintomas da doença, têm média de 50 mortes por dia. Segundo a prefeitura, 30% das mortes são de pessoas que morreram em casa, porque não receberam atendimento médico.
É o caso de Raimundo Soares da Silva, de 78 anos, que morreu com sintomas de Covid-19. Depois de esperar 25 horas pelo serviço funerário municipal, a família pagou R$ 2.000 para uma funerária particular retirar o corpo da casa.
“Porque não vinha, diziam que estava muito lotado e tinha muito, não tinha caixão aliás. Então era esse o problema. E a família muito constrangida. Disso fez a vaquinha para inteirar para pagar funeral particular”, contou a autônoma Valdenice da Silva.
Nesta quinta, a Assembleia Legislativa do Amazonas aceitou a abertura de processo de impeachment contra o governador Wilson Lima e o vice Carlos Almeida. As denúncias foram protocoladas pelo sindicato dos médicos do estado, que alega má gestão no combate à pandemia do novo coronavírus.
O governador Wilson Lima disse que o pedido de impeachment não tem fundamento, está contaminado por questões eleitorais e ocorre em um momento inoportuno.

By Negócio em Alta