
Em live transmitida na manhã desta sexta-feira (1º), prefeito Antônio Almas (PSDB) informou que o município tem 84% dos leitos para tratamento intensivo ocupados, o que é sinal de alerta para o enfrentamento à Covid-19. Ocupação dos leitos de UTI, por pacientes de diversas patologias, é de 84% em Juiz de Fora
SILVIO AVILA/AFP
Em live transmitida na manhã desta sexta-feira (1º), o prefeito Antônio Almas (PSDB) revelou que a alta taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em Juiz de Fora, durante este período de pandemia, é o principal fator que impede a flexibilização e retorno das atividades comerciais.
Segundo o prefeito, atualmente a cidade tem 84% dos leitos de UTI ocupados, por pacientes de diversas patologias – inclusive Covid-19, o que coloca o município em situação de alerta.
Na noite de quinta-feira (30), Almas anunciou a manutenção das medidas restritivas em relação ao funcionamento do comércio e da cadeia produtiva da cidade.
A medida é por tempo indeterminado e é acompanhada pelo Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19.
Leitos ocupados
Durante a coletiva, que contou com a participação do recém nomeado secretário adjunto de Saúde, Clorivaldo Rocha Corrêa, o chefe do Executivo explicou sobre as discussões em torno de uma possível flexibilização para volta das atividades comerciais.
Na quarta-feira (29), o Governo de Minas lançou o programa Minas Consciente, que estabelece diretrizes e classificações para um retorno gradual das atividades.
A Prefeitura informou que estuda, junto com o Comitê, sobre a adesão ou não ao programa.
O Minas Consciente estabelece uma divisão das atividades comerciais e industriais através de “ondas”.
Serviços essenciais, como supermercado, produção agrícola, farmácia e instituições financeiras, são classificadas como “onda verde” e funcionam em todas as cidades mineiras.
Para avançar na liberação de outros setores, seria preciso atender à alguns requisitos, e um dos principais é a taxa de ocupação das UTIs, para evitar um colapso no sistema de saúde da cidade.
“Para avançar na flexibilização e liberar o funcionamento de alguns setores, é preciso estar com a taxa de ocupação dos leitos de UTI abaixo de 78%. Estamos com 84%. Pelo Governo estadual, se a cidade está entre 78% e 90% de ocupação, é um sinal de alerta para avançar. Se ultrapassa 90%, é preciso voltar para uma fase anterior e adotar medidas mais restritivas”, relatou o prefeito.
Antes da pandemia, Juiz de Fora contava com 107 leitos para tratamento intensivo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde março, o município ampliou para 127 leitos. “Conseguimos a incorporação de mais 10 leitos pelo Hospital João Penido, o que deve ocorrer na próxima semana.”, reforçou Almas.
Mesmo com a liberação dos novos leitos, o prefeito apontou que o número ainda não é o suficiente, caso as medidas de isolamento social continuem sendo desrespeitadas.
“Quanto maior for a adesão ao isolamento social, nós achatamos a curva e diminuímos a necessidade de leitos. O número crescente de casos na cidade acendeu um alerta que podemos precisar de mais leitos do que temos capacidade no período entre o final de maio e início de junho. Se não fizermos a nossa parte, que é respeitar o distanciamento, teremos um grande problema sanitário ali na frente. O que estamos assistindo em diversos lugares do Brasil pode ocorrer em Juiz de Fora”, destacou o prefeito.
O secretário adjunto Clorivaldo apontou que houve um aumento de 58% dos casos suspeitos de coronavírus em relação a última semana.
Só nas últimas 24 horas, o G1 mostrou que foram 27 novos casos confirmados. Os casos suspeitos ultrapassam 2.200. Correa reforçou que o pico de contágio e de casos no município ainda não ocorreu, segundo análises de estudos feitos entre a Prefeitura e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Para o município adquirir mais leitos de UTI, além da compra de respiradores, camas, remédios e materiais hospitalares, é necessário o credenciamento destas unidades pelo governo estadual e pelo Ministério da Saúde.
Almas contou que o Comitê de Enfrentamento, a Prefeitura e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) seguem trabalhando para a aquisição de novas unidades de tratamento intensivo pelo SUS.
‘Barreira sanitária não vai resolver esse problema’
Almas também se posicionou sobre a questão de moradores do estado do Rio de Janeiro que estão vindo à Juiz de Fora em busca de atendimento médico.
“Desde que a Prefeitura tomou conhecimento desta situação, tive uma conversa com o secretário estadual de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, e disse à ele nossa preocupação já que a situação atinge entes federativos diferentes. Na semana passada, 10 pessoas se deslocaram de cidades do Rio de Janeiro para buscar atendimento aqui.”
O prefeito pontou que a situação de fluminenses buscando atendimento ocorre a alguns anos e que “Juiz de Fora pode ser um caminho de busca quando o Sistema de Saúde do Rio de Janeiro entra em colapso.” Ele explicou que o secretário estadual tem se movimentado para buscar uma interlocução com o Ministério da Saúde para debater a situação.
Sobre o pedido da Ouvidoria Municipal de Saúde e de outras entidades da cidade sobre uma possível instalação de barreiras sanitárias, o chefe do Executivo relatou que acredita que esta não é a melhor solução para o problema.
“Barreira sanitária não vai resolver esse problema. Qual profissional de saúde, que estiver atuando na barreira, vai realizar um diagnóstico, de um paciente com risco eminente de morte, e vai mandá-lo de volta para a cidade de origem? A solução não é fazer barreiras. Precisamos ter garantias por parte do Ministério da Saúde que, na possibilidade disso acontecer, conseguiremos atuar de forma efetiva para realizar estes atendimentos.”
