
Segundo entidade, empresa demora para adotar medidas de prevenção. Correios informou que já comprou mais de 80 mil máscaras e vai adquirir outras 160 mil. Sindicato dos Correios denuncia falta de equipamentos de proteção
Uma denúncia do Sindicato dos Correios sobre a falta de fornecimento de equipamentos de proteção para funcionários de agências do Alto Tietê foi parar na justiça.
Segundo a entidade, faltam máscaras e luvas. Eles ainda alertam que, se as medidas de prevenção não começarem a ser feitas, podem até fazer uma greve geral.
Na unidade de entrega dos correios em Poá trabalham 45 funcionários. Desses, apenas 15 receberam máscaras, uma para cada. As queixas são do Sindicato dos Correios, que afirma que o problema não ocorre só em Poá.
O diretor da entidade, Milton de Jesus Miguel, diz que em toda a região faltam equipamentos de proteção contra o novo coronavírus.
“A empresa vem comprando os EPI’s de uma forma muito devagar. Quando começou a pandemia em 15 de março, só depois de umas duas semanas que veio comprar o álcool em gel. Nós estamos mexendo aqui com encomendas que vêm da China, de outros países, e não tem uma luva. Nós já levamos isso para o alto escalão e não nos atendeu. Levamos para a justiça, a justiça deu uma liminar favorável a nós, mas a empresa não vem cumprindo a liminar”, diz.
Sindicato diz que nem todos os funcionários dos Correios recebem máscaras.
Reprodução/TV Diário
Segundo o diretor, no Alto Tietê dois funcionários dos correios contraíram a Covid-19, um em Ferraz de Vasconcelos e outro em Itaquaquecetuba. Mas, segundo ele, os Correios não fizeram a desinfecção adequada do ambiente por onde os funcionários passaram.
“Os Correios não fizeram nenhuma trabalho de desinfecção, e pior: o trabalhador andou na unidade, cumprimentou os colegas. Está sendo conversado entre os sindicatos de todo o Brasil, em reuniões online, que se os Correios não cumprirem com todas as determinações, provavelmente vai ser determinada uma data para fazer uma assembleia on-line e fazer uma greve”, pontua o diretor.
As reclamações da categoria ficam ainda mais fáceis de entender quando longas filas são registradas em frente à agência de Poá. Para os funcionários, que atendem dezenas de pessoas por dia, o risco é incontestável. Até os clientes que tão na fila reclamam que não tem ninguém para organizar a distância entre as pessoas
“Eu cheguei aqui na agência, encontrei a fila e, por conta própria, nós estamos mantendo a distância, mas não vem ninguém aqui orientar para nós mantermos a distância”, diz o assistente técnico Antônio Oliveira.
Em nota, os Correios disseram que compraram 80 mil máscaras de proteção para distribuir em todo o Brasil e já existe um processo para a compra de mais 160 mil unidades.
Os correios informaram ainda que a empresa está atenta à proteção de empregados e clientes e, por isso, adotou algumas medidas, como o envio de orientação para todos os empregados sobre os cuidados básicos de higiene.
Informou também que foram disponibilizados frascos de álcool gel 70% e máscaras para os carteiros, operadores e atendentes, além do reforço de procedimentos de higienização e limpeza do ambiente e equipamentos.
Os correios disseram ainda que estão acompanhando os casos suspeitos da Covid-19 que envolvem empregados e estão prestando todo o apoio necessário.
Sobre o atendimento em Poá, a empresa informou que tem organizado o acesso dos clientes nas agências, de acordo com a distância recomendada, para evitar aglomerações.
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