Segundo o último levantamento, o estado tem mais de 38 mil casos da doença – de um dia pro outro, 10% de aumento. Autoridades pedem respeito ao isolamento. O estado de São Paulo ultrapassa a marca de 3 mil mortos pela pandemia.
No estado de São Paulo, a Covid já matou mais de 3 mil pessoas.
Ana Vitória tinha só 16 anos. Foi internada na quinta-feira (30) com sintomas da Covid-19. “Na manhã de domingo me ligaram pedindo pra ir até o hospital. Quando cheguei lá recebi a trágica notícia que minha filha tinha morrido, que minha filha tinha ido embora”, conta Rosália Cristiane Ferreira de Souza, mãe de Ana Vitória.
Nesta quarta-feira (6) no Vila Formosa, o maior cemitério da América Latina, mais um sepultamento. Maria dos Anjos tinha 45 anos e lutou durante 12 dias contra o novo coronavírus. “É sempre assim, né? Acontece com o vizinho, mas não acontece com a gente. Então, foi um baque para todo mundo mesmo”, diz Daiana Caroline Miranda.
Uma mãe, uma família. Um estado inteiro de luto, decretado a partir desta quinta-feira (7) pelo governo para homenagear os 3.045 mortos pela Covid-19 em São Paulo. Segundo o último levantamento, o estado tem mais de 38 mil casos da doença – de um dia pro outro, 10% de aumento.
“A única arma que nós temos é o distanciamento social. Nós não temos medicamentos, nós não temos vacinas e não teremos a curto prazo. Então é absolutamente fundamental que a população continue se sacrificando”, disse David Uip, infectologista e coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo.
“Ficar em casa é estar protegido. Estar isolado em casa é estar protegido contra a morte, é proteger a sua vida. Faça isso”, disse o governador de São Paulo, João Doria.
A prefeitura da capital tentou contribuir para diminuir a transmissão do coronavírus. Mas a tática de reduzir a circulação em grandes avenidas não ajudou. O índice de isolamento continuou em torno de 48%, o mesmo da semana passada sem os bloqueios. E os congestionamentos do início da semana, acabaram segurando ambulâncias e atrasando até profissionais de saúde. O jeito foi voltar a deixar o trânsito fluir e reforçar os apelos em blitz educativas.
Mas o fim dos bloqueios não significa relaxamento, pelo contrário. A prefeitura já está estudando medidas de reforço ao isolamento social, que pode se tornar geral e obrigatório em São Paulo.
“A gente vê um número crescente, ainda, de pessoas sendo atingidas, de número de casos confirmados, de mortes aqui na cidade de São Paulo. Razão pela qual não só o lockdown como outras medidas vem sendo estudadas” disse o prefeito Bruno Covas.
A boa notícia é que o uso das máscaras parece generalizado. Os fiscais estão tendo pouco trabalho nos transportes públicos, onde elas já são obrigatórias. E na quinta-feira (7), no estado de São Paulo inteiro, elas terão que ser usadas o tempo todo por quem tiver que circular. É mais um reforço para tentar segurar a transmissão da doença que levou dona Carmosina para o leito de um hospital de campanha em Embu das Artes, na grande São Paulo.
Doente e aflita, ela conseguiu falar nesta quarta (6) com o filho usando um tablet cedido pela prefeitura, e pediu, como toda boa mãe, que os filhos fiquem em casa, que a família se cuide. “Não fica triste, não, filho. Eu vou ficar bem, tá? A médica falou que daqui uns 3, 4 dias eu vou embora, tá?”.
Sem categoria
