Procurador-geral de Justiça de SC detalha suposto envolvimento de agentes públicos no caso dos respiradores


Fernando Comin falou sobre os indícios de fraude em entrevista ao Bom Dia Santa Catarina desta segunda-feira. Força-tarefa investiga compra de respiradores em quatro estados; MP fala da investigação
O procurador-geral de Justiça de Santa Catarina, Fernando Comin, deu detalhes sobre as investigações que apuram uma suposta fraude na compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões pelo governo catarinense. Na manhã desta segunda-feira (11) em entrevista ao Bom Dia Santa Catarina, da NSC TV, ele falou sobre indícios da existência de uma organização criminosa que utilizava uma empresa de fachada e intermediava a venda de equipamentos para o poder público, com a facilitação de alguns agentes do governo no processo de compra.
Segundo o procurador-geral, a empresa não tinha habilitação para realizar a importação de 200 respiradores. “Teve a facilitação de alguns agentes públicos, não só para agilizar o processo e realizar o pagamento antecipado, mas também para avalizar a operação e se assegurar de que esses recursos seriam transferidos para essa empresa de fachada”, explicou.
Além disso, ele citou que é investigado a suspeita do envolvimento de uma Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, que seria um dos envolvidos relacionado à empresa Veigamed, de quem o governo catarinense comprou os respiradores. No entanto, não deu detalhes dos envolvidos por conta da Lei de Abuso de Autoridade e do sigilo da investigação.
As investigações envolve uma força-tarefa composta pelo Ministério Público, Tribunal de Contas e a Polícia Civil. Uma operação deflagrada no sábado (9) cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e outros três estados, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso. Pelo menos dois secretários do governo catarinense, que pediram exoneração da pasta da Saúde e Casa Civil, são citados nas investigações.
“Após o cumprimento, nós requeremos ao Tribunal de Justiça o levantamento do sigilo das investigações, portanto o que o MP entente é que nesse momento todos os órgãos de controle, a sociedade, a imprensa tem que ter acesso a essas informações. Mas, as investigações vão prosseguir”, explicou.
Procurador-geral de Justiça de SC, Fernando Comin, durante entrevista no BDSC
Reprodução/ NSC TV
Lavagem de dinheiro
De acordo com Comin, uma das linhas de investigação neste caso envolve a suposta lavagem de dinheiro.
“Nós temos, evidentemente, um processo fraudulento de compra com falsidade documentais, ideológicas, crimes de corrupção e também obviamente um crime financeiro. Esses R$ 33 milhões foram transferidos pra conta da Veigamed na conta dessa empresa só foi possível bloquear R$ 400 mil, portanto eles já tinham sido pulverizados em outras operações e contas”, explicou.
No rastro desses recursos supostamente desviados, o procurador-geral explica que mais de R$ 11 milhões estão em uma conta judicial e os demais destinos ainda estão sendo investigados, inclusive um suposto pagamento de propina.
“Há indícios concretos de que esteja ocorrendo também o crime de ocultação de ativos, o famoso crime de lavagem de dinheiro”, disse.
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By Negócio em Alta