Pacientes com câncer, grupo de risco para o coronavírus, enfrentam filas e aglomeração no hospital Luxemburgo


Espera chega a quatro horas. Os pacientes com câncer fazem parte do grupo de risco do coronavírus.
TV Globo/Reprodução
Dezenas de pessoas entre pacientes e acompanhantes estavam na entrada do setor de quimioterapia do Hospital Luxemburgo, na Região Centro-Sul da capital, na tarde desta quinta-feira (14).
Eles aguardavam para pegar medicamentos e reclamavam da demora no atendimento e também que não havia cadeiras de espera suficientes para a manterem o distanciamento.
Uma enorme fila foi registrada no setor de quimioterapia do hospital Luxemburgo.
Esley Resende
Esse é o caso da Fernanda da Mata, pedagoga, que está acompanhando a mãe que tem câncer e precisa ir ao local todo mês para buscar o remédio do tratamento. Fernanda estava acompanhando essa situação das aglomerações há um tempo, e sempre tem muita gente na fila.
“Esse mês, eles exigiram que ela fosse consultar para poder retirar o remédio. Em tempos normais, essa prática estava tranquila. Entretanto, toda vez que vai a esse hospital, a espera é de mais de 4h em uma sala fechada com muitas pessoas”.
Fernanda teme pela saúde da mãe, por já ser do grupo de risco e estar mais vulnerável ao coronavírus
“Estamos com medo de mandar a mamãe, devido ao alto risco de contaminação, entretanto o remédio é imprescindível para o tratamento”.
Segundo a pedagoga, ela e a mãe chegaram no hospital por volta das 13h desta quinta-feira (14) e que até as 18h, ainda não tinham sido atendidas.
“No hospital é sempre uma aglomeração de pessoas doentes e debilitadas. Questionei, e a atendente disse que as consultas continuavam agendadas e que se não viesse, não pegava o remédio”.
A mãe da Fernanda tem câncer e está na fila desde às 13h desta quinta-feira (14)
Fernanda da Mata
Nota do Instituto Mário Penna
O Instituto Mário Penna informou que algumas medidas foram tomadas para diminuir o risco de contágio.
“Para os pacientes que fazem uso de medicação oral tem autorização de pegar medicamentos que durem até três meses, evitando assim, que os mesmos retornem ao hospital mensalmente, como acontecia. Vale ressaltar que atendemos, nesta modalidade, cerca de 1.100 pacientes por mês”.
O Instituto afirma ainda que alguns medicamentos injetáveis de uso contínuo também foram disponibilizados para aplicação domiciliar.
O Hospital esclarece que faz a limpeza de todas as poltronas e que as sinaliza para garantir o cumprimento do distanciamento.
Em relação ao atendimento, o instituto afirma que “os pacientes que encontram-se apenas em controle (sem tratamento) tiveram as suas consultas remarcadas, após avaliação do prontuário pela equipe médica. Eles foram comunicados por contato telefônico”.
Alguns dos profissionais (médicos e enfermeiros) responsáveis pelo atendimento no ambulatório de quimioterapia foram afastados, por causa da pandemia.

By Negócio em Alta