
De 17 de março a 30 de abril de 2019 foram 33 mortes por Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) na capital. No mesmo período deste ano, foram quase 3.200. Paciente é atendido por equipe médica na UTI do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo
Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo
O número de mortes por Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) na cidade de São Paulo cresceu quase 100 vezes neste ano em comparação ao ano passado, segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido. A SRAG é uma doença respiratória grave que exige internação e é causada por um vírus, seja ele o novo coronavírus, o influenza ou outro.
De 17 de março a 30 de abril de 2019 foram 33 mortes por Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) na capital. No mesmo período deste ano, foram quase 3.200, anunciou o secretário em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7).
Covas anuncia rodízio de carros ampliado e mais restritivo em toda a cidade
Metade dos hospitais municipais de SP tem mais de 95% de leitos ocupados
Estado de SP tem 3.206 mortes por Covid-19
No mesmo período, a cidade de São Paulo registrou 1.514 mortes por Covid-19, o que pode indicar uma subnotificação dos números oficiais.
“O que temos de diferente deste ano do ano passado é que esse ano temos o Covid-19. Para se dar um pouco a dimensão da gravidade do momento que estamos vivendo”, disse Edson Aparecido.
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra um aumento expressivo nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) neste ano em todo o Brasil, em comparação com a média dos últimos dez anos.
No estado de São Paulo não é diferente. Do dia 8 a 28 de março, ainda no começo da epidemia, São Paulo teve mais internações por síndromes respiratórias que em todo o ano de 2019. Ano passado, foram registradas 9.701 internações, segundo o sistema de monitoramento Infogripe. Em 2020, 9.759 pessoas foram internadas apenas nestas três semanas de março.
Hospitais lotados
Segundo a Prefeitura de São Paulo, metade dos hospitais municipais já estão com mais de 95% da capacidade dos leitos ocupados por causa da alta de demanda com a epidemia do novo coronavírus. Na Grande São Paulo, a taxa geral de ocupação de UTIs já chega a 89,6%.
De acordo com a gestão municipal, a lotação atinge os hospitais da Bela Vista, na região central, de Itaquera, na Zona Leste, e o da Vila Maria e o de Pirituba, na Zona Norte.
O secretário destacou ainda que todos os distritos da capital paulista já registraram mortes por Covid-19, e que a Brasilândia e Sapopemba já tiveram mais de 100 óbitos cada uma.
“Isso nos leva a crer que estamos num momento de ascendência da doença, tanto do ponto de vista de disseminação, como do ponto de vista dos óbitos”, disse Edson Aparecido.
Veja a taxa de ocupação por hospital:
Hospital da Bela Vista – 95%
Hospital de Itaquera – 95%
Hospital da Vila Maria – 95%
Hospital de Pirituba – 95%
Hospital da Mooca – 84%
Hospital do Jabaquara – 83%
Hospital de Parelheiros – 83%
Hospital do Tatuapé – 77%
Rodízio de veículos
Prefeitura da capital vai adotar medidas rigorosas para circulação de veículos
Para tentar diminuir a circulação de pessoas e conter o avanço da doença na capital, a prefeitura de São Paulo vai limitar a circulação de carros na cidade por meio de um esquema de um rodízio ampliado e mais restritivo. A medida foi anunciada na manhã desta quinta-feira (7) pelo prefeito Bruno Covas (PSDB). “Momentos extremos exigem medidas extremas”, afirmou Covas.
A partir de segunda-feira (11), carros com placas de final par só poderão rodar em dias pares e veículos com final ímpar, nos dias ímpares. A medida vale para toda a cidade, não apenas o centro expandido, durante as 24 horas do dia, inclusive aos sábados e domingos.
“Essa é uma medida necessária para que a gente evite ter que decretar o lockdown na cidade de São Paulo”, defendeu o prefeito durante coletiva de imprensa virtual.
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