
Com a pandemia do novo coronavírus, profissionais começaram a ver o sistema de saúde pública entrar em colapso. Maranhão é estado com menor índice de médicos por habitantes do país
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma posição nada agradável para o Maranhão. O estado, segundo a pesquisa, tem o menor número de médicos por habitantes do país.
Além disso, o Maranhão tinha apenas 8 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para cada 100 mil habitantes, segundo a pesquisa do IBGE em 2019. Quem enfrenta o problema de perto, lamenta a situação.
“A enfermagem sempre lutou pela efetivação do Sistema Único de Saúde, pela qualificação profissional e pela educação pública de qualidade. A realidade das condições de trabalho pioraram para enfrentar a pandemia pelo Covid-19. Além do sofrimento mental, a falta de equipamento de proteção individual em quantidade e qualidade tem gerado adoecimento e morte em muitos profissionais do trabalho de salvar vidas”, lamenta a enfermeira Rosilda Dias.
A enfermeira Patrícia Azevêdo conta sobre a rotina exaustiva dentro das unidades hospitalares do estado.
“Eu queria dizer algo bonito e tocante sobre trabalhar na pandemia, mas só há trabalho sujo e pesado mesmo. A máscara dói e sufoca, a face shield aperta, a roupa esquenta, não dá para respirar direito. Você não consegue entender o que o colega fala. É necessário o dobro de atenção. Precisa quebrar ampolas rapidamente, preparar medicações com uma velocidade incomum com grandes soluções, para não acabar rápido. Pensar rápido, e agir mais rápido ainda e mesmo assim você perde um paciente”, relata a enfermeira.
Desabafos assim, já eram feitos há algum tempo, mas com a pandemia do novo coronavírus, profissionais começaram a ver o sistema de saúde pública entrar em colapso. Do lado de dentro, os hospitais se transformaram em campos de batalha, lugares cheios de pacientes que precisam de cuidados, medicamentos e leitos.
E por falar em leitos, o Maranhão tinha apenas 8 leitos de UTIs para cada 100 mil habitantes, segundo uma pesquisa do IBGE em 2019. O estado é o antepenúltimo colocado no ranking nacional, só que este ano, a Secretaria de Estado da Saúde, adquiriu 278 novos leitos de UTI.
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Além da estrutura física deficiente dos hospitais públicos aqui no maranhão, o estado enfrenta outro problema, tem o menor número de médicos para cada 100 mil habitantes segundo o IBGE. E com o deficit de profissionais fica cada vez mais difícil enfrentar a Covid-19.
“Você percebe a concentração nos grandes centros urbanos, nas capitais e centros regionais. Já as pequenas cidades, os pequenos municípios eles carecem de toda a estrutura para o combate do coronavírus”, explicou o chefe do IBGE/MA, Marcelo Melo.
Com menos médicos do que se precisa, o Maranhão amarga na última posição do ranking nacional, com uma taxa de 81 profissionais por 100 mil habitantes, seguido do Pará, com 85. Só que os números estão mudando, o estado tinha 3.109 médicos na rede pública, mas agora, 47 foram contratados para atuar no combate ao novo coronavírus.
Maranhão é estado com menor índice de médicos por habitantes do país.
Reprodução/TV Mirante.
De 2019 para cá, o estado também aparece nas últimas posições a nível de Brasil, em relação a média de respiradores, que são apenas 13 por 100 mil habitantes. E de enfermeiros em relação à totalidade da população. O estado tem 106 profissionais para cada 100 mil habitantes.
Em 2020,novos respiradores foram comprados, cerca de 255, números que tentam amenizar a fragilidade e a carência de um sistema que o atendimento nem sempre chega a tempo pra salvar.
“Nós temos uma situação de falta de respiradores, falta de médicos. O número de médicos que nós damos é médico em todas as especialidades, não necessariamente de combate à pandemia. E com os leitos de UTIs a situação é mais catastrófica, não apenas no Maranhão, mas no Brasil”, alerta o chefe do IBGE/MA, Marcelo Melo.
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