São ao todo 11 indicadores que devem ser avaliados em cada cidade, como: velocidade de avanço da doença, a estrutura dos sistemas de saúde e a adesão da população às medidas de distanciamento. JN tem acesso a versão de projeto de combate ao coronavírus do Ministério da Saúde
Pelo segundo dia seguido, o ministro da Saúde, Nelson Teich, foi convocado para uma reunião fora da agenda no Palácio do Planalto.
Desde o início da semana, o ministro da Saúde, Nelson Teich, negocia com estados e municípios um programa com diretrizes para o isolamento social.
Nesta quinta (14), o ministro e os conselhos de secretários de Saúde voltaram a se reunir. O Jornal Nacional teve acesso a uma versão do projeto que foi apresentado aos secretários de Saúde.
São ao todo 11 indicadores que devem ser avaliados em cada cidade, como: velocidade de avanço da doença, a estrutura dos sistemas de saúde e a adesão da população às medidas de distanciamento. Cada indicador tem uma pontuação. A soma deles pode chegar a no máximo 40 pontos. A ideia do ministério é: quanto maior a pontuação, maior o rigor das medidas que devem ser adotadas. A partir de 30 pontos, é recomendado o lockdown.
Na segunda-feira (11), secretários estaduais e municipais de Saúde disseram que o momento era de concentrar esforços no isolamento social. Nesta quinta, eles reforçaram: só será possível falar em relaxamento de medidas quando o número de casos e de mortes estiver em queda. Não agora. E disseram que o ministro se comprometeu a só divulgar o documento quando houver consenso entre eles.
“Entendemos que é um documento tecnicamente importante que irá subsidiar na tomada de decisão, mas compreendemos que a publicação desse documento, agora, em fase de construção, poderá criar uma dubiedade de informação e, com isso, estragar alguns trabalhos que nós temos, principalmente no fortalecimento daqueles municípios que estão em lockdown nesse momento”, avaliou o presidente da Conasems, Wilames Freire Bezerra.
Depois dessa reunião, o ministro Teich foi chamado ao Palácio do Planalto. Assim como na quarta (13), a reunião não estava na agenda dele nem na do presidente Bolsonaro.
Teich não falou com a imprensa. A entrevista sobre a situação do coronavírus contou apenas com a presença do secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário. Ele disse que o ministério está preocupado com a situação dos profissionais de saúde.
Um levantamento mostra que, em todo o Brasil, quase 200 mil profissionais de saúde já apresentaram sintomas da Covid-19 e precisaram ser afastados do trabalho; 31.790 são casos confirmados da doença. A maior parte é formada por técnicos e auxiliares de enfermagem e enfermeiros, mas há muitos médicos doentes também.
O Brasil é hoje o sexto país do mundo tanto em número de infectados quanto em óbitos. E, segundo Eduardo Macário, o Ministério da Saúde considera que, neste momento, não há perspectiva de melhora nos indicadores
“Acho que a principal mensagem é que nós estamos ainda em um momento de crescimento de casos, não há nenhuma perspectiva nesse momento de estabilização ou até mesmo diminuição. O que serve de alerta, não só os gestores profissionais, mas principalmente a população tome os devidos cuidados para evitar a infecção pelo coronavírus”, afirmou.
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