Governo reconduz Mantovani para presidência da Funarte e, em seguida, anula nomeação

Desde a primeira aparição no governo Bolsonaro, o maestro Dante Mantovani esteve envolvido em polêmicas. A principal delas em outubro de 2019, quando associou o rock ao satanismo. Governo reconduz Mantovani para presidência da Funarte e, em seguida, anula nomeação
O governo reconduziu o maestro Dante Mantovani para a presidência da Funarte, mas anulou a nomeação em seguida.
Mantovani ficou famoso por causa de um vídeo em que associou o rock ao satanismo.
A nomeação desta terça (5) foi a segunda de Dante Mantovani para o mesmo cargo: presidente da Funarte, a Fundação Nacional de Artes. A primeira vez foi em dezembro de 2019. Ficou apenas três meses. Sua demissão saiu em março, na mesma edição do Diário Oficial que publicou a nomeação de Regina Duarte para a Secretaria Especial da Cultura.
A Funarte permaneceu sem titular até hoje, como se o cargo continuasse reservado para Mantovani. O que se confirmou com a renomeação dele, nesta terça, assinada pelo ministro da Casa Civil, Braga Netto.
A Funarte é responsável pelas políticas públicas de fomento a diferentes representações artísticas, como música e teatro. Desde a primeira aparição no governo de Jair Bolsonaro, Dante Mantovani esteve envolvido em polêmicas. A principal, um vídeo divulgado numa rede social, em outubro de 2019. Nele, Mantovani associa o rock ao satanismo.
“O rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que ele fez um pacto com o diabo”, afirmou na ocasião.
A Funarte é vinculada ao Ministério do Turismo, assim como à Secretaria da Cultura, de Regina Duarte.
Outra nomeação na Funarte foi assinada pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, para o cargo de diretor-executivo, o número dois da Funarte, Luciano da Silva Barbosa Querido, um ex-auxiliar do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente. Luciano foi exonerado do gabinete de Carlos Bolsonaro em novembro de 2017. Como diretor-executivo, Querido vai auxiliar o presidente e supervisionar a elaboração e execução do orçamento.
Essas nomeações foram feitas sem o conhecimento da secretária de Cultura, Regina Duarte. Desde antes de aceitar o cargo, Regina vem sofrendo ataques da ala ideológica do governo. O próprio Bolsonaro passou a reclamar dela. Semana passada, ao ser questionado se a ex-atriz sairia do governo, o presidente respondeu:
“Infelizmente, a Regina está em São Paulo, está trabalhando pela internet ali. E eu quero que ela esteja mais próxima. É uma excelente pessoa, um bom quadro”, disse.
Segundo a assessoria de Regina Duarte, ela voltou a despachar em Brasília. A revista Crusoé divulgou na internet um áudio de Regina Duarte com uma assessora. Nele, a assessora afirma que o outro nome já teria sido indicado para substituí-la, e Regina se mostra surpresa com a informação.
Assessora: Eu só acho o seguinte: qualquer decisão que você tomar, você vai falar olho no olho desse cara. O Edir Macedo indicou para ele um sujeito chamado Igor.
Regina Duarte: Então, assim, eles estão decidindo. Táá decidido.
Assessora: Não sei, não sei.
Regina Duarte: Que loucura isso, que loucura. Eu acho que ele está me dispensando.
Fontes do Planalto dizem que Regina Duarte ligou para o ministro Braga Netto e pediu uma audiência com o presidente nesta quarta (6).
No fim desta terça, a surpresa. Um novo Diário Oficial, também assinado pelo chefe da Casa Civil, ministro Braga Netto, anunciou a revogação da nomeação de Mantovani. Dessa vez, ele não ficou nem um dia. Regina Duarte deve almoçar com o presidente nesta quarta-feira.
A assessoria de Edir Macedo afirmou que a informação é falsa.

By Negócio em Alta