‘Eu não ia tirar um corpo sem ter certeza que era meu irmão’, relata parente de homem com suspeita de Covid-19 em hospital de Fortaleza


Esposa se recusou a assinar documento atestando a morte do marido porque ele estava em saco lacrado. Hospital diz que procedimento segue normas técnicas. Parentes do administrador de empresas de 42 anos, que não quis ter o nome identificado pela família, reclamam do procedimento adotado para liberação do corpo do administrador de empresas, que passou 28 dias internado no Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Eles alegam que foram impedidos de fazer o reconhecimento visual do parente, que já estava num invólucro lacrado e isolado.
O homem foi internado na unidade de saúde no dia 3 de abril, com suspeita de Covid-19. Ele faleceu na última quinta-feira (30). A complicação na liberação do corpo veio no dia seguinte, 1º de maio, quando os familiares foram buscá-lo para a cremação.
“Entrou minha cunhada. Quando ela chegou lá, disseram: ‘não, você não vai reconhecer, é lacrado, esse saco aqui é o que você vai levar’. O rapaz da funerária veio me chamar. Eu não ia tirar um corpo de lá sem ter certeza que era meu irmão”, relata Eduardo, irmão do rapaz, que esperava o trâmite do lado de fora do Hospital.
Com a notícia, ele chegou a acionar a Polícia Militar. “Quando viram a situação, chamaram um médico, que veio com uma assistente social e um segurança, e disseram que a gente ia falar com o diretor do Hospital. Levaram minha cunhada, e ele disse que liberava se ela colocasse uma roupa especial. Só assim ela pode reconhecer”, lembra.
O HGF informou, através de nota, que o processo de reconhecimento de corpos de pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 segue Nota Técnica da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O documento recomenda que “o reconhecimento é limitado a um único familiar ou responsável, sem contato direto com o corpo, mantendo uma distância de dois metros entre eles”. “O HGF vem realizando, diariamente, avaliação dos processos que envolvem a Covid-19 para melhor se adequar às mudanças constantes no contexto atual da pandemia”, completa.
Familiares do empresário alertam parentes de outros pacientes e cobram mais atenção das autoridades de saúde. “Tem sido uma situação ‘esse é esse e acredite’. É muito complicado. Infelizmente meu irmão já se foi, mas tem pessoas que passam por isso e de repente não têm essa atitude”, ressalta.
Enquanto o homem esteve internado, os parentes também não conseguiam receber informações oficiais do estado de saúde dele. Os boletins eram repassados por um conhecido que estava dentro do HGF.
O empresário procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com tosse, dor de estômago e tonturas no dia 28 de março. Ele cedeu amostra para o exame de detecção de Covid e retornou para casa, seguindo a recomendação do isolamento social. No dia 3 de abril, ainda com os sintomas, ele foi levado a um hospital particular e, depois, encaminhado ao Hospital Geral.
O Ceará é o terceiro estado do Brasil com maior número de confirmações da doença causada pela infecção do novo coronavírus. Até a tarde deste domingo (3), segundo dados da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), na plataforma IntegraSUS, eram 8.370 casos confirmados e 663 mortes no estado.
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Foto: Infografia/G1
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By Negócio em Alta