
Advogado de defesa de Hilmar José Duppre Júnior alega que seu cliente é inocente e não tem qualquer participação na receptação da carga. Hilmar José Duppre Júnior é investigado por receptação de carga de testes de Covid-19
Reprodução/Facebook
O empresário Hilmar José Duppre Júnior, irmão do vereador de Santos Hugo Duppre (Republicanos), foi preso após ser um dos suspeitos de integrar o grupo que receptou uma carga com 15 mil testes de Covid-19, do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. Antes de serem furtados, os testes teriam como destino hospitais de estados do Nordeste. Junto com ele, outras 13 pessoas foram presas.
A carga chegou da China pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos. O proprietário da carga retirou o material para distribuir para hospitais do Nordeste. No dia 8 de abril, ele percebeu que parte dos kits havia sido furtado. O proprietário foi procurado pela quadrilha, logo em seguida, para negociar o carregamento.
Diante do furto, o proprietário denunciou o caso à Polícia Civil. As autoridades deram início às investigações. Dois delegados se passaram por representantes do empresário e entraram na negociação com a quadrilha.
No dia 11 de abril, o delegado Luis Alberto Guerra, do Aeroporto de Guarulhos, entrou em um galpão, na Rua Cipriano Barata, no bairro Ipiranga, na capital paulista. O local pertence a Zheng Xiao Yun, conhecido no Brasil como Marcos Zheng, que disse ser presidente da Associação Xangai no Brasil e sócio de quatro empresas em São Paulo.
Segundo a polícia, as 15 caixas com mil testes cada estavam na sala dele. Mas, a negociação foi feita, segundo o delegado, por outro chinês: Fu Zhihong. À polícia, ele disse que venderia os testes por R$ 3 milhões. No ocasião, 14 pessoas foram presas em flagrante, incluindo o irmão do vereador santista.
Em entrevista ao G1, o advogado de defesa de Hilmar José Duppre Júnior, João Carlos de Jesus Nogueira, afirmou que o cliente é inocente e não tem ligação com os testes furtados. Segundo o advogado, ele somente utilizava o galpão para guardar os insumos hospitalares da empresa para a qual trabalha, já que é representante comercial desse tipo de material.
“As autoridades foram até um bairro Ipiranga, onde meu cliente estava junto com um homem dentro de um bar. Os policiais se passaram por empresários da Bahia querendo uma carga de testes. Esse homem apontou o galpão onde as autoridades apreenderam a carga. Ele não fez nenhuma tratativa com os policiais sobre o material furtado, mas infelizmente, agora ele está preso”, explica.
O caso ainda segue sob investigação e ainda não virou ação penal. Para tentar libertar Hilmar, o advogado entrou com um pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo e ao Superior Tribunal de Justiça. Apesar do pedido, ele continua preso preventivamente, sob a acusação de receptação qualificada – crime de menor potencial – na Penitenciária I de Mirandópolis (SP).
João Carlos Nogueira é advogado de defesa de Hilmar Duppre e alega que seu cliente é inocente
Arquivo pessoal/
Liberdade negada
O pedido de liberdade foi feito inicialmente na 8ª Câmara de Direito Criminal, no entanto, o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan indeferiu a liberdade. Diante da situação, João Carlos impetrou o pedido de liminar para derrubar a decisão de prisão no STJ, onde também foi negado no último dia 24.
O ministro João Otávio de Noronha alegou que, nesse caso, não cabe a liberação, pois ele foi preso em flagrante, portanto, não há ilegalidade comprovada na detenção de Hilmar, que é réu primário.
“Ele negou o seguimento e eu interpus um agravo regimental, que faz com que o STJ receba o pedido de novo para outros ministros decidirem a respeito da soltura. Eles vão ter que analisar de qualquer modo”, finaliza.
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