Iabas enviou proposta sem saber quantos hospitais de campanha iria administrar. Organização social fechou contratos de quase R$ 800 milhões. Organização Social que faz os hospitais de campanha mandou proposta antes de edital
Uma organização social que está construindo hospitais de campanha no Rio de Janeiro mandou uma proposta para o governo um dia antes da abertura do processo de contratação. A Iabas foi escolhida, sem licitação, como empresa responsável por contratos de quase R$ 800 milhões.
O processo para a contratação de uma organização social para administrar hospitais de campanha foi aberto no dia 27 de março. Antes de ter sido tornada pública a solicitação do Governo do Rio, a Iabas já tinha encaminhado a proposta dela no dia 26 de março.
A secretaria de Saúde abriu uma comissão de verificação para acompanhar os processos no dia 5 de maio.
Funcionárias avisaram que respiradores não serviam para tratar Covid-19
O RJ2 teve acesso ainda a novos documentos relacionados a compra de mil respiradores pelo Governo do Estado.
A ata de uma reunião entre representantes das empresas e da secretaria estadual de Saúde mostra que uma funcionária da pasta já tinha avisado que alguns dos equipamentos adquiridos não iriam servir para tratar de um paciente diagnosticado com Covid-19.
Quando a Arc Fontoura entregou 52 ventiladores do tipo “bipap”, a subsecretária de regulações e unidades próprias da secretaria estadual de Saúde, Renata Carnevale, afirmou por telefone que o equipamento não é invasivo.
Mesmo após o aviso, o então superintendente de logística e patrimônio da secretaria, Gustavo Borges da Silva, preso na semana passada e exonerado na segunda (11), disse que os 52 respiradores foram distribuídos para atender demandas emergenciais de outros municípios.
O pedido, segundo Gustavo Borges, teria sido uma determinação do secretário de Saúde, Edmar Santos. No entanto, ele iria solicitar os equipamentos de volta para entregar à empresa, tendo em vista que o item não atenderia às demandas do estado.
Outra empresa contratada pelo estado para o fornecimento de respiradores e que também teve o contrato cancelado foi a A2A Equipamentos de Informática. O dono dela, Aurino Batista de Souza, foi preso.
Em reunião com representantes da secretaria, a A2A apresentou o respirador YH730 como sendo o usado em vários países.
Técnicas da coordenação de qualificação de material disseram que o equipamento não atenderia a demanda da secretaria junto aos pacientes que necessitam ser entubados, uma vez que não é invasivo. A avaliação das técnicas foi confirmada pelo superintendente de compras e licitações da secretaria, Armando Correa.
Mesmo após a observação técnica, ele pergunta quantos respiradores Y730 A A2A teria condições de entregar de imediato.
Equipamentos sem certificado da Anvisa
A terceira empresa contratada pela secretaria foi a MHS. O dono da empresa, Glauco Otaviano Guerra, foi questionado da ausência do número de registro da Anvisa dos respiradores que a MHS queria oferecer ao estado. Glauco Guerra disse que o equipamento ainda estava sendo analisado pela Anvisa, para o fornecimento de registro e que estava “anvisando”.
Sobre os 52 respiradores inadequados, a secretaria de Saúde afirmou que só quando os itens chegaram aos hospitais as equipes locais identificaram o problema.
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