
Profissionais relatam os desafios no enfrentamento da doença, os medos e a angústia compartilhados durante o trabalho. Profissionais falam como é a rotina e a realidade do trabalho
Os números da Covid-19 não param de crescer. Até esta terça-feira (12), eram 2032 casos confirmados da doença, 37 casos de óbitos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Por trás desses números existem histórias com as quais os profissionais de saúde lidam na linha de frente. Difícil é não se envolver com os relatos.
“À infectologia fica o desafio do acolhimento, de provar ao paciente que ele não está só, mesmo tendo que ficar no isolado por um período de tempo. Esse talvez seja o grande desafio dessa doença que assola o mundo e que nos faz aprender cada dia mais”, conta a médica infectologista Mariela Cometki.
A rede em prol da vida é formada por diversas especialidades. “Dentro dessa equipe, o fisioterapeuta é peça fundamental, que avalia se existe um desvio da função ou se ela foi perdida. A Covid-19 vem por causa de uma infecção por uma pneumonia viral, que pode deixar alguma sequelas respiratórias, cardiovasculares e metabólica”, explica o fisioterapeuta Lucas Cacau.
Os casos da Covid-19 também são registrados nas unidades básicas de saúde e em urgências. Os profissionais precisam estar preparados.
“A infecção está na fase comunitária e acabam chegando até nós. Acabei tendo algumas experiências com pacientes confirmados com a doença. Toda essa mudança requereu de nós adaptação, resiliência para entender todas essas modificações, as necessidades de cuidados que a gente precisava enfrentar neste momento”, afirma o clínico geral Vitor Hugo.
Diferentes dos filmes de ação, nos hospitais os super-heróis são feitos de carne e osso. Homens e mulheres que precisam lidar com o medo de contrair o vírus e o afastamento da saudade da família.
“Convivo com pessoas do grupo de risco e, para proteger minha família, tive que me afastar completamente, por alguns dias, porque tive contato com pacientes que testaram positivo. Isso é muito difícil. Acarreta saudade, insegurança, medo. Leva também a um despertar do nosso lado humano, muito mais também do que o nosso lado médico”, relata, emocionado, Vitor Hugo.
Unidade de Terapia Intensiva (UTI)
Neil Hall/AP/Arquivo
A vida por um fio
Quando vida e morte ficam separadas por um fio. Se o esforço não surte efeito, a tristeza vem na mesma medida. A médica infectologista, Gilmara Carvalho Batista, explica que essa situação mexe com o emocional do profissional da saúde.
“A doença apresenta um alto índice de letalidade. Pra nós, este paciente não é só um dado na estatística. É um paciente que deixou uma história familiar, uma história pregressa, que muitas vezes no momento da sua despedida está sozinho. É uma situação que, de certa forma, gera um conflito no profissional”, confirma.
Neste campo de guerra, os equipamentos de proteção individuais são indispensáveis para evitar o contato com o vírus. Porém, o contágio com a covid-19 pode acontecer em qualquer descuido. Até sexta-feira (8), eram cerca de 60 profissionais da saúde infectados em Sergipe, segundo a SES.
“Apesar de todos os cuidados, fui infectada e por consequência infectei minha filha de 8 anos. Não foi falta de cuidado, não foi falta de EPI em nenhum momento. Em casa, tomava banho na garagem e mesmo assim aconteceu isso. Peço a todos que permaneçam em casa, que pense na sua família e em nós profissionais”, apela a enfermeira Maria Valdinete da Silva, que saiu do isolamento na segunda-feira (11) junto com a filha.
Elas estavam internadas na enfermaria
SES
A emoção da alta médica
As boas notícias, com o número de curados servem de combustível para quem diariamente luta pra salvar mais vida na luta contra o novo coronavírus.
“A gente vibra a cada alta, a cada melhora clínica, a cada paciente que consegue sair do ventilador, a cada paciente que a gente consegue mandar pra casa”, disse a infectologista Mariela Cometki.
Dona Josefa agradeceu à Deus a cura
SES/Simão Dias
Até a terça-feira, Sergipe possuía 299 pessoas curadas, entre elas uma idosa de 103 anos. A Secretaria informou que foram realizados 6.273 exames e 4.241 foram negativados. O número de pacientes internados é de 133, sendo 63 em leitos de UTI (26 na rede privada e 37 na rede pública) e 70 em leitos clínicos (17 na rede privada e 53 na rede pública).
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