
Fortaleza é a segunda cidade com mais casos de Covid-19, atrás apenas de São Paulo, e tem aglomerações constantes em feiras populares. Feira popular no Bairro Autran Nunes aglomera multidão nesta sexta-feira
Thiago dos Santos
Apesar do decreto estadual que prevê medidas de isolamento social e o fechamento de serviços não essenciais com o objetivo de conter a transmissão do novo coronavírus, algumas feiras livres em Fortaleza funcionaram nesta sexta-feira (1º) e registraram intensa movimentação. Além de estarem próximas umas das outras, muitas pessoas não usavam máscaras.
No Bairro Bom Jardim, a feira de rua realizada tradicionalmente às sextas-feiras ocorreu como de costume, apesar da proibição. Imagens mostram diversas barracas armadas e um grande número de pessoas circulando no local. Na Cidade 2000, o cenário é semelhante.
O G1 flagrou barracas montadas e aglomerações de pessoas, sem respeitar o distanciamento e sem utilização de nenhum equipamento de proteção individual.
O Ceará é um dos estados mais afetados pela doença. O estado tem mais de 500 óbitos em decorrência da doença e quase oito mil pessoas infectadas. Fortaleza, epicentro da contaminação pelo vírus no estado, registra 5.970 casos confirmados de infecção e 381 mortes em decorrência da Covid-19.
Fiscalização
De acordo com a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), autarquia responsável por fiscalizar e coibir a realização dessas feiras, o trabalho de atuação dos fiscais é constante.
“Diariamente cerca de 20 bairros são percorridos, além da orla marítima (Praia de Iracema, Beira-Mar e Praia do Futuro), com até 91 pontos de atendimentos”. Segundo a Agefis, neste período de pandemia o órgão tem feito o “encerramento de feiras livres e comércio ambulantes, fiscalizado pequenos comércios, padarias, supermercados, praças e demais espaços públicos”.
Feiras ocorrem sem a presença de fiscais em Fortaleza nesta sexta-feira
Marina Alves/SVM
O objetivo das ações, ainda conforme a Agefis, “é evitar aglomerações, fiscalizar estabelecimentos e garantir o cumprimento do Decreto estadual nº 33.519/2020, que contém as instruções para o fechamento do comércio em todo o estado, a fim de evitar a propagação do novo coronavírus”.
Outro ponto com registro de aglomeração de pessoas foi no Centro da capital cearense, na Rua Governador Sampaio. Segundo um morador, que pediu para não ser identificado, apesar de no local haver lojas de serviços essenciais, “muitas bancas de comidas foram instaladas no meio da rua. Perfumarias e lojas de descartáveis também estão funcionando como não existisse nenhuma pandemia no mundo”.
A Agefis informou ainda que utiliza recursos como câmeras de monitoramento e drone para identificar aglomerações. Para auxiliar o ordenamento de filas em agências bancárias, são utilizados caixas de som portáteis, megafones e carros de som. Segundo o diretor de Operações da Agefis, Neuvani Vasconcelos, o trabalho de fiscalização ganhou reforço da Guarda Municipal, Defesa Civil, Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) e Polícia Militar, com o apoio dos Agentes de Cidadania e Agentes de Endemias.
Apesar de todas as ações, Neuvani destaca “a falta de conscientização de muitas pessoas” como um dos gargalos a serem superados no combate ao novo coronavírus. Segundo ele, mesmo com equipes fixas em feiras cuja realização já é tradicional, “as pessoas insistem em montar barracas, indo contra todas as determinações dos órgãos de saúde”.
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Foto: Infografia/G1
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