
Governador diz que plano ‘depende de como números se comportam’. Estado tem mais de 5,2 mil contaminados e 435 mortes. Rua do Centro de Manaus tinha movimentação de clientes e vendedores na manhã desta sexta (1º)
Carolina Diniz/G1 AM
Um possível afrouxamento das medidas de isolamento social no Amazonas nos próximos dias gerou apreensão entre pesquisadores que estudam os efeitos da pandemia do novo coronavírus no estado. Nesta quinta-feira (30), o governador Wilson Lima anunciou que o governo estuda um plano de reabertura das atividades econômicas em Manaus e na região metropolitana, com início previsto para o dia 14 de maio e com ciclos até agosto.
Para o vice-diretor de pesquisa da Fiocruz Amazonas, Felipe Naveca, o Amazonas ainda está na curva ascendente de casos confirmados de Covid-19, e seria arriscado reduzir o isolamento diante da atual circunstância.
“Se você olhar para curva, a gente continua aumentando muito o número de casos. Quando a gente diz que chegou no pico, é porque esse número vai se estabilizando, não tem tanta variação de um dia para o outro”, explicou.
Nesta quinta-feira (30), o Amazonas registrou pelo terceiro dia consecutivo mais de 400 novos casos confirmados do novo coronavírus. Agora, o estado contabiliza mais de 5,2 mil infectados, e 435 mortes por Covid-19.
O governador Wilson Lima anunciou também que a suspensão de serviços não essenciais no Amazonas foi prorrogada até o dia 13 de maio. A prorrogação do decreto de paralisação dos serviços não essenciais, do dia 23 de março, encerrava nesta data. Durante entrevista à Rede Amazônica, Lima comentou o plano de retomada das atividades, mas afirmou que as medidas dependerão dos números de casos no estado.
“Só vai acontecer se seguirmos as medidas de restrição. Vamos avaliar até o dia 13 (de maio) como os números se comportam. Se a gente não tiver evolução, há possibilidade de a gente fechar tudo, de a gente aumentar as medidas restritivas”, afirmou Lima.
O pesquisador avalia que o ideal é manter somente o que for “realmente indispensável”. “Por mais que a economia esteja sofrendo com isso, ela vai sofrer ainda mais se nós aumentarmos muito o número de pessoas muito grave ou em óbito. A gente precisa ter um pouco mais de paciência porque isso vai passar. Quanto mais forte a gente mantiver o isolamento, nesse momento mais crítico, vai passar mais rápido”, defendeu Naveca.
Em relação ao prazo “seguro” para retomar as atividades econômicas e afrouxar o isolamento, Naveca considera que a data vai depender do engajamento da população.
“O momento exato pra isso é complicado porque na verdade a gente tem uma série de fatores. Quanto menos a popular ajudar no isolamento social, mais vai demorar pra gente chegar nesse ponto”, explicou.
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