
Podem responder ao questionário pessoas de qualquer idade. Objetivo é realizar uma avaliação seis meses após o término da quarentena. Pesquisadores são vinculados ao Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer)
Bruno Todeschini/PUCRS
Um grupo de pesquisadores da área da saúde e educação do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer), ligado à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), criou uma pesquisa para investigar os impactos do confinamento familiar em razão da Covid-19 na qualidade do sono.
A pesquisa estará disponível pelo menos até o final de maio e pode ser respondida de forma anônima.
De acordo com a neurologista infantil que estuda o sono na infância, Magda Lahorgue Nunes, desde o início do isolamento social, aumentou o número de relatos de pessoas que estão com dificuldades para dormir.
“A gente tem observado é que desde o início da quarentena tem muitas crianças com queixas de sono, ou pais também. Crianças que dormiam bem e agora não estão dormindo. São alterações no padrão de sono. A gente tem visto de uma forma geral que as pessoas estão dormindo mal, estão ansiosas, medo das questões da doença, preocupações das questões financeiras”, explica Magda, que é vice-diretora do InsCer.
O estudo possui três fases. A primeira foi um estudo piloto, que já foi concluída.
“Distribuímos o questionário para 50 pessoas de níveis educacionais diferentes para a gente tentar ver a compreensão, se todo mundo compreendia e conseguia responder o estudo”, explica a neurologista.
A segunda etapa é a disponibilização do questionário para qualquer pessoa responder. O objetivo da pesquisa é alcançar uma abrangência nacional.
“Agora a gente está avaliando os efeitos da quarentena agora no sono. Esse estudo é feito com um questionário, que temos como ponto A ver se a qualidade do sono está alterada ou não, e também tem algumas perguntas mais qualitativas, do que está acontecendo com o sono”, aponta Magda.
A terceira fase está prevista para ocorrer seis meses após o fim do isolamento social, com as pessoas que demonstrarem interesse.
“A terceira fase seria feita seis meses após o término da quarentena. Que tem como objetivo ver se essas alterações do sono foram transitórias ou se elas realmente persistem como um marcador de estresse”, ressalta a neurologista.
Esta última fase ocorrerá se o projeto for contemplado com auxílio financeiro de editais de apoio à pesquisa.
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Na pesquisa, as pessoas devem indicar o CEP da residência. Assim, os pesquisadores conseguem identificar onde há mais ou menos problemas na qualidade do sono.
“A gente está usando técnica de georreferenciamento que, através dela, vamos poder ver locais onde tem características mais específicas dessas alterações de sono. Saberemos onde são os pontos mais críticos.”
Ao final da pesquisa, há dicas e recomendações de hábitos que podem ser adotados para ter um sono melhor.
“O sono é marcador de uma boa saúde. Não dormir bem pode levar e influenciar a várias situações clínicas, princialmente se essa pessoa tiver uma doença de sono. O não dormir bem é algo que impacta muito na vida. Impacta no rendimento diurno, em questões cognitivas, questões de memória, questões comportamentais, no humor. Em todas as faixas de idade. Não dormir bem é uma questão de preocupação em termos de saúde pública.”
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