
A Polícia Federal fez buscas na casa do coronel Helbert Figueiró nesta quarta-feira (24). Ele é investigado por tentar embaraçar ou obstruir mandados judiciais da operação “Acrônimo”. Polícia Federal faz busca em casa de ex-comandante da PM do governo Pimentel
Coronel reformado foi comandante-geral da PM no governo de Fernando Pimentel
Reprodução / TV Globo
Em uma troca de mensagens, o então governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), pede ao coronel Helberto Fiqueiró, na época chefe de gabinete militar do governo, “vamos ficar de olho”. O policial responde, “estou tomando conta dos voos da PF”.
Este diálogo foi encontrado no computados de Pimentel, apreendido em agosto de 2019. A Polícia Federal investiga tentativa de obstrução de mandados judiciais por Figueiró a pedido do então governador, investigado na operação “Acrônimo”.
Na manhã desta quarta-feira (24), a Polícia Federal fez buscas na casa do agora coronel reformado Helbert Figueiró. No apartamento no bairro de Lourdes, área nobre de Belo Horizonte, os agentes apreenderam um computador e três celulares.
O material foi levado à sede da PF onde será periciado. Os equipamentos podem ajudar a esclarecer a suspeita de que o policial avisava Pimentel sobre as investigações. Segundo a polícia, Figueiró sabia de movimentações na capital e de voos da corporação vindos de Brasília.
O que dizem os investigados
Procurado pela TV Globo, o ex-governador Fernando Pimentel não quis comentar sobre a operação da PF alegando desconhecer “totalmente o teor da mesma”, mas fez questão de dizer que nunca recebeu “informações privilegiadas” de quem quer que seja sobre assuntos da Polícia Federal.
Em março de 2017, o Diário do Legislativo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais registrou sessão durante a qual deputados comentaram que Pimentel seria concunhado de Figueiró, informação negada pelo ex-governador.
O advogado Eugênio Pacelli, que atende o ex-governador Fernando Pimentel, disse à TV Globo que não atua neste processo e que, por isso, desconhece qualquer informação a respeito do fato que motivou a operação da Polícia Federal desta quarta-feira.
Em nota enviada à TV Globo, o coronel reformado disse ter sido surpreendido pela presença da Polícia Federal para cumprimento de mandado de busca de apreensão. Confirmou que foram recolhidos um notebook e o celular pessoal e que as investigações referem-se a fatos do inquérito a que está submetido o ex-governador Fernando Pimentel, em época em que Figueiró ocupava a função de chefe do Gabinete Militar do Governador, nos anos de 2015 e 2016.
“É lamentável e constrangedor passar por tal situação, após cumprir 31 anos de serviços com conduta irretocável, mas entendemos que tudo isso decorre do ônus da função exercida. Ressalto que estou tranquilo pois não tenho nada a ocultar perante a Justiça”, disse Figueiró, na nota.
Entenda o caso
A apreensão de R$ 113 mil em um jatinho, em outubro de 2014, deu início às investigações da operação “Acrônimo”, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos para financiamento de campanhas eleitorais. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou abertura de inquérito para apurar suposto elo com Pimentel.
No dia 7 de outubro de 2014, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 110 mil com passageiros de uma aeronave que pousou no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. De acordo com a corporação, o jatinho pertencia a uma empresa de táxi aéreo e estava com três passageiros, vindos de Belo Horizonte.
De acordo com PF, os três passageiros da aeronave eram Marcier Trombiere Moreira, que trabalhou na campanha do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono de uma gráfica que também prestou serviço para o petista, e um homem identificado como Pedro Medeiros.
No dia seguinte à apreensão, a corporação abriu um inquérito e iniciou as investigações.
Primeira fase
Em 29 de maio de 2015, a Polícia Federal iniciou a primeira fase da Operação Acrônimo, em Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. A corporação apreendeu documentos em um apartamento em Brasília da primeira-dama do governo de Minas, Carolina de Oliveira.
O delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali, disse, na ocasião, que não havia nenhuma autoridade com prerrogativa de foro ou partido político sendo investigado.
No dia 30 de maio de 2015, o governador do Minas, Fernando Pimentel, fez um pronunciamento e declarou que o envolvimento da mulher na investigação se trata de um “equívoco”. “Ocorre, o mandado de busca e apreensão foi expedido com base numa alegação, numa definição inverídica, absolutamente inverídica”, disse, na ocasião.
No dia 1º de junho de 2015, o advogado de Carolina de Oliveira, Pierpaolo Bottini, afirmou ter entregue ao juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal, em Brasília, documentos que, segundo ele, comprovam a inocência da primeira-dama mineira. Estes documentos mostravam datas de abertura e de fechamento de empresa que seria de Carolina.
“A empresa de Carolina de Oliveira não é uma empresa de fachada. Ela prestava serviços de assessoria de comunicação, ela ocupou efetivamente aquele imóvel até julho de 2014”, afirmou ele, na ocasião.
Segunda fase
No dia 25 de junho de 2015, a Polícia Federal realizou a segunda fase da Operação Acrônimo e cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em três estados e no DF. Dez mandados foram expedidos para a capital federal, seis para Belo Horizonte, e os outros três para Uberlândia (MG), Rio de Janeiro e São Paulo.
Um dos locais onde os agentes cumpriram mandado na data era um escritório no bairro Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, que foi usado como escritório de campanha de Pimentel, no ano passado.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou abertura de inquérito, solicitada pela Polícia Federal, para apurar o suposto envolvimento do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e da mulher dele, Carolina de Oliveira, nos fatos investigados pela operação “Acrônimo”.
O advogado apresentou o requerimento e termo de encerramento contratual da Oli Comunicação e Imagem Eireli, ambos com data do segundo semestre de 2014, e afirmou que os documentos que comprovam a inocência da cliente seriam entregues à Justiça.
* Colaborou Cintia Paes
Residência do ex-comandante da PM, em Belo Horizonte
Vladimir Vilaça / TV Globo
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