‘Ele era minha maior referência’, diz filho de uma das vítimas da Covid-19 no DF


Josué Dias de Alencar morreu no dia 3 de abril. Com 67 anos, ele deixou três filhos. Josué Dias de Alencar, 67 anos, vítima da Covid-19 no DF
Arquivo pessoal
“Aquela coisa de você ter um exemplo, pra mim sempre foi meu pai”. O desabafo é de Mateus de Alencar, filho de Josué Dias de Alencar, vítima da Covid-19 no Distrito Federal.
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Josué tinha 67 anos e faleceu no último dia 3 de abril. Ele é uma das histórias de vida interrompidas na capital pelo novo coronavírus. Até a tarde desta sexta-feira (15), o governo do DF confirmou 53 mortes em decorrência da Covid-19 (veja lista abaixo).
Josué Dias de Alencar, que segundo o filho, era um homem de relações duradouras, é um nome na estatística. Mas, para Mateus, era o pai que trabalhou por 40 anos no mesmo banco e, por 30 anos, foi casado com a mesma mulher.
“Um homem sólido constrói coisas solidas, né?” brinca o filho Mateus.
Mortes por Covid-19 no DF confirmadas até a tarde de 15 de maio
23 de março: mulher de 61 anos
29 de março: homem de 77 anos
31 de março: homem de 73 anos
1º de abril: homem de 82 anos
2 de abril: homem de 50 anos
2 de abril: mulher de 77 anos
3 de abril: mulher de 61 anos
3 de abril: homem de 67 anos
3 de abril: mulher de 61 anos
4 de abril: homem de 84 anos
5 de abril: homem de 37 anos
5 de abril: homem de 49 anos
8 de abril: mulher de 81 anos
9 de abril: mulher de 76 anos
12 de abril: homem de 78 anos
12 de abril: homem de 94 anos
13 de abril: homem de 54 anos
14 de abril: mulher de 73 anos
14 de abril: mulher de 79 anos
15 de abril: homem de 69 anos
15 de abril: homem de 87 anos
15 de abril: mulher de 57 anos
16 de abril: mulher de 84 anos
17 de abril: mulher de 60 anos
18 de abril: mulher de 89 anos
22 de abril: homem de 101 anos
22 de abril: homem de 85 anos
25 de abril: mulher de 63 anos
26 de abril: mulher de 67 anos
29 de abril: homem de 63 anos
30 de abril: mulher 85 anos
1º de maio: jovem de 22 anos
2 de maio: homem de 67 anos
4 de maio: homem de 53 anos
6 de maio: homem de 68 anos
8 de maio: mulher de 73 anos
9 de maio: homem de 75 anos
9 de maio: homem de 34 anos
10 de maio: mulher de 67 anos
10 de maio: mulher de 71 anos
10 de maio: mulher de 90 anos
9 de maio: mulher de 92 anos
10 de maio: homem de 72 anos
10 de maio: mulher de 89 anos
11 de maio: homem de 72 anos
12 de maio: mulher de 80 anos
12 de maio: homem de 52 anos
13 de maio: mulher de 92 anos
13 de maio: homem de 38 anos
13 de maio: homem de 45 anos
14 de maio: homem de 84 anos
14 de maio: homem de 70 anos
14 de maio: mulher de 63 anos
A história de três famílias em dor por causa da COVID-19
A história de Josué Dias de Alencar
Nascido no Piauí, Josué Dias Alencar veio para Brasília ainda jovem – com a mãe e os irmãos. Mateus conta que o sonho do pai era passar em um concurso e ter uma vida estável para construir a própria família.
“Quando ele era jovem via tanta gente bem sucedida, conseguindo as coisas e viu nisso [concurso] uma oportunidade de crescer e conseguir o que queria na vida.”
Decidido, estudou, se formou em matemática e passou no concurso de um banco, com 20 anos. Lá permaneceu até se aposentar.
Nesse tempo, se casou, teve filhos e construiu muitas amizades. Mateus conta que o pai tinha “jeito” para lidar com todo tipo de pessoa.
“Muito tranquilo e paciente. Acho que a maior virtude é que ele sempre soube usar as palavras com as pessoas. Um homem que sabia dar bronca e aconselhar da forma mais sutil possível. Essa era a maior virtude dele”, afirma o filho.
A família morava na Asa Norte, no Plano Piloto. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde, até quinta-feira (14), a região contabiliza 399 casos de coronavírus.
Memória afetiva
Para Mateus, tudo lembra o pai – que afirma ser a maior e melhor referência que ele tinha. “Aquela coisa de você ter um exemplo, pra mim sempre foi meu pai”.
Voltando um pouco no tempo, o rapaz lembra da infância e, principalmente da época de escola. O pai era “das exatas” e Mateus é da área das humanas. “Desde pequeno eu tinha dificuldades com os números”, aponta.
“Eu lembro de algumas tardes que meu pai passava me ensinando, com toda a paciência dele. Ele me ensinava e a meus irmãos mais novos também.”
O filho também lembra que uma das memórias afetivas que tem em relação ao pai é que ele adorava cuscuz. “Ele tinha aquela coisa de acordar cedo e fazer um café da manhã, fazer um cuscuz. A gente já acordava e sabia que ia ter um cuscuz com ovo”, conta Mateus.
“Tem muitos desses detalhes que são marcantes. Um cuscuz, uma tapioca, são boas lembranças.”
Ficar perto da família era o maior agrado de Josué. Mateus agradece ao pai por todos os ensinamentos deixados e diz que o amor será eterno.
“Só gostaria de agradecer a pessoa que ele me tornou e onde ele estiver ele sabe que tem muito amor.
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By Negócio em Alta