Roberto Castelo Branco disse que 18 ex-funcionários continuavam se beneficiando da assistência à saúde da empresa e que um deles gastou mais de R$ 400 mil em um ano. Mudança no plano de saúde faz parte da estratégia para reduzir custos da companhia. O presidente da Petrobras Roberto Castello Branco disse na tarde desta sexta-feira (15) que investigações revelaram que ex-funcionários da companhia continuaram usufruindo do plano de saúde da empresa e que um deles gastou R$ 400 mil em um ano. Ele não revelou os nomes dos envolvidos.
“Detectamos várias irregularidades [no plano de saúde] como 18 condenados pela Lava Jato ainda usufruindo do plano de saúde. Um deles gastando, só no ano passado, R$ 400 mil . Tinham dentistas na Bahia que recebiam mais de R$ 2 milhões por ano do plano”, disse o executivo durante entrevista coletiva para comentar os resultados financeiros da companhia.
A Petrobras havia divulgado na noite anterior um prejuízo recorde de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Segundo Castelo Branco, a empresa vai mudar a gestão de seu plano de saúde como uma das estratégias para reduzir os custos da companhia.
“Nosso pano de saúde tem uma administração muito ineficiente e muito cara comparando com outras empresas estatais. Por exemplo, é mais de duas vezes e meia o custo administrativo por vida coberta no Banco do Brasil e uma vez e meia da Caixa Econômica Federal que não são, particularmente, modelos de eficiência”, apontou Castello Branco.
O executivo enfatizou que a empresa descobriu, ainda, que o plano de saúde tinha uma inadimplência acumulada em R$ 379 milhões “de segurados que não pagavam as suas mensalidades sacrificando todo o resto dos demais”. Destacou, ainda, que a má qualidade do serviço prestado pela seguradora foi “o item campeão de reclamações em 2019” na ouvidoria da Petrobras, com 2.595 reclamações registradas.
O presidente da Petrobras destacou em sua apresentação que a companhia pretende reduzir seus custos “em pelo menos US$ 2 bilhões esse ano”, mantendo o mesmo nível de economia nos próximos anos.
Sem perspectiva de dividendos
Diante do prejuízo financeiro, a diretora financeira e de relacionamento com investidores da Petrobras, Andrea Almeida disse, quando questionada, que não há perspectiva de que a empresa pague dividendos aos seus acionistas em 2020. Porém, ressalvou que a situação poderá ser revista de acordo com os resultados operacionais.
“Se o cenário continuar semelhante ao que a gente está vivendo agora, provavelmente a gente não vai ter dividendos se tudo continuar como está atualmente. De fato, é difícil recuperar esse impacto que a gente teve agora no primeiro trimestre. Se o cenário mudar, a gente vai avaliar”, disse.
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