Advogado de Moro diz que transcrição parcial revela ‘disparidade de armas’, já que AGU teve acesso ao vídeo

A defesa do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro alegou, nesta quinta-feira (14), que a transcrição parcial do vídeo da reunião ministerial do último dia 22 de abril revela “disparidade de armas, pois demonstra que a Advocacia-Geral da União (AGU) tem acesso ao vídeo, enquanto a defesa não tem”.
Na noite desta quinta, em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a AGU se manifestou a favor da retirada do sigilo do vídeo da reunião, mas somente dos trechos em que há intervenções do presidente Jair Bolsonaro. Em relação às intervenções dos demais participantes da reunião, a AGU propõe não divulgar.
Em nota, o advogado Rodrigo Rios, da defesa de Moro, afirma que a petição contém transcrições literais de trechos das declarações do presidente, mas com omissão do contexto e de trechos relevantes para a adequada compreensão, inclusive na parte da “segurança do RJ”, o trecho imediatamente precedente.
“A transcrição parcial que busca apenas reforçar a tese da defesa do Presidente reforça a necessidade urgente de liberação da integralidade do vídeo”, diz nota de Rodrigo Rios, um dos advogado de Sérgio Moro.
Pedido da AGU
A AGU afirma que as intervenções de outros participantes da reunião são “absolutamente impertinentes ao objeto do inquérito (tanto é assim que, em nenhum momento, são referidas ou reclamadas pelo Declarante)”. Também fez ressalvas quanto à “referência a eventuais e supostos comportamentos de nações amigas”.
No documento entregue ao STF, a AGU cita que o encontro teve dez participantes: os ministros da Justiça, da Saúde, da Infraestrutura, das Relações Exteriores, da Mulher, Família e Direitos Humanos, do Turismo e da Educação; e os presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica e do Banco Central.
A manifestação da AGU é resposta a uma determinação do ministro Celso de Mello, do STF, que deu prazo de 48 horas nesta terça-feira (12) que os envolvidos nas investigações opinassem sobre a possibilidade de liberação dos registros, total ou parcial.
Entenda a importância do vídeo
A reunião que está gravada no referido vídeo foi citada em depoimento por Sergio Moro no contexto do inquérito que investiga a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Na reunião, o presidente teria exigido a troca do superintendente da PF no Rio de Janeiro, a fim de evitar investigação sobre familiares dele.
O vídeo está sob sigilo desde que chegou ao STF, na sexta-feira (8) e já foi exibido em uma única sessão, reservada a investigadores e procuradores da República, além do proprio Sergio Moro e da Advocacia-Geral da União. Fontes que acompanharam a exibição informaram que a gravação mostra Bolsonaro usando palavrões e fazendo ameaças de demissão em defesa da troca no comando da PF no Rio de Janeiro.
Initial plugin text

By Negócio em Alta