
Requisições passaram de 4,4 mil para 6,3 mil, segundo levantamento. Para professor de economia, expectativa é que número ultrapasse marca de 10 mil no mês de maio. Pedidos de seguro-desemprego em Campinas aumentaram 41%
Os pedidos de seguro-desemprego aumentaram 41% em Campinas (SP) na primeira quinzena de abril, no comparativo com mesmo período de março, segundo dados do Ministério da Economia. O índice reflete a crise econômica em diversos setores desde o início da quarentena para enfrentamento ao novo coronavírus e mostra um aumento de 4.454 requisições para 6.306, de acordo com o governo.
O levantamento publicado pelo ministério é o principal indicador do desemprego no ano de 2020, já que a pasta ainda não divulgou as estatísticas Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em Limeira (SP) e Piracicaba (SP), as altas registradas foram de 4,5% e 33%, respectivamente.
Crise em meio à pandemia
Com a chegada do novo coronavírus, muitos profissionais tiveram os contratos encerrados devido às adequações feitas pelas empresas para o período de crise. A analista de recursos humanos Marcela Cristina Pereira havia sido contratada por uma indústria alimentícia há um ano, mas, no dia 13 de abril, foi desligada.
“Eles acabaram por optar por encerrar meu contrato de trabalho, e aí acho que contrataram alguém para ganhar um pouco menos pra entrar no meu lugar”, relata Marcela.
A analista de recursos humanos Marcela Cristina Pereira foi demitida
Reprodução/EPTV
A analista conta que levou 30 dias para ser atendida pelo Centro Público de Apoio ao Trabalhador (CPAT) de Campinas, que agora realiza atendimentos presenciais somente mediante agendamento. Ao todo, 64 trabalhadores são atendidos diariamente nos guichês do centro.
“Demorei 30 dias para conseguir o atendimento, mas consegui hoje dar entrada [no seguro-desemprego] e deu certo […] Vai ser a minha única segurança porque, do jeito que estão as coisas, a gente não tem perspectiva, expectativa nenhuma em conseguir um emprego”, desabafa.
Assim como Marcela, trabalhadores recém-desligados têm recorrido ao benefício diante das incertezas. O recepcionista Matheus Avelino Santiago, que solicitou o seguro-desemprego no CPAT, afirma que usará o dinheiro para ajudar em casa.
“A princípio eu vou pagar as minhas contas e ajudar eles [a família] como eu posso”, conta.
Escalada do desemprego
O professor de economia Roberto Brito de Carvalho diz que a maioria dos desempregados tem ensino médio completo e está na faixa etária entre 30 e 39 anos. “Nós estamos olhando para um perfil técnico, de executor. Eminentemente, o setor que mais demitiu foi o setor de serviços”, analisa.
Ainda de acordo com o economista, a expectativa é de que, no mês de maio, o número de desempregados que solicitaram o benefício chegue a pelo menos 10 mil.
“Muitas empresas protelaram qualquer decisão, não aderiram às medidas do governo mas, nesse momento, já a partir do susto tomado em março e abril, de uma maneira fria acabam olhando para a realidade e acabam tomando decisões ainda mais imperiosas. A anormalidade da ação social e econômica deve provocar um número maior de desempregos”, explica o economista.
Economista Roberto Brito de Carvalho alerta para a escalada do desemprego
Reprodução/EPTV
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