
Eles estão com os salários atrasados e, por isso, paralisaram as atividades há duas semanas. Rodoviários protestam no Centro de Vitória
Reprodução/ TV Gazeta
Rodoviários da Viação Tabuazeiro, que é responsável por parte dos ônibus que operam no sistema municipal de Vitória, voltaram a protestar nesta sexta-feira (8). Eles estão com os salários atrasados e, por isso, paralisaram as atividades há duas semanas. A manifestação complicou o trânsito na região.
Primeiro, os trabalhadores se concentraram na Avenida Beira-Mar, em frente à prefeitura e, em seguida, seguiram até o Centro, onde pararam em frente ao Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado.
Os coletivos também ficaram parados na avenida, deixando apenas uma das vias liberada.
O fim da paralisação vem sendo negociado entre o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran), a Viação Tabuazeiro e o Sindirodoviários.
Os trabalhadores continuam em greve, apesar da liminar proferida pelo TRT, que determinou o retorno de 30% da operação da Viação Tabuazeiro.
Prefeitura
Atendendo a uma das propostas, a prefeitura de Vitória propôs antecipar a compra de um mês do vale-transporte dos servidores municipais.
Segundo a prefeitura, o valor de R$ 450 mil será pago à empresa para ser destinado exclusivamente ao pagamento dos funcionários da empresa.
A decisão foi tomada após audiência conciliatória, realizada por videoconferência, entre Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran), Viação Tabuazeiro e Sindirodoviários.
“Solicitamos ao TRT que seja garantido o repasse desse recurso para o efetivo pagamento desses trabalhadores”, disse.
Os rodoviários, entretanto, alegam que a quantia não cobre o pagamento dos salários e benefícios em atraso.
Setpes
O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado Espírito Santo (Setpes) disse que vem tentando buscar a solução para o atraso dos salários em audiências de conciliação.
“Importante ressaltar que desde o início do período de isolamento social, determinado pelo Governo do Estado, os ônibus do sistema municipal de Vitória perderam mais de 80% dos passageiros. Além disso, as empresas não recebem subsídio do governo, ou seja, a arrecadação é diretamente das passagens de ônibus”, diz a nota.
Ainda segundo o Setpes, a projeção de custos para o mês de abril e maio de 2020 contempla a exclusão da frota que não está sendo utilizada na operação, entretanto mesmo com os veículos parados, os custos fixos com mão-de-obra e benefícios, que representam em média 55% do custo do serviço, estarão sendo realizados pelas empresas.
“Mas as empresas estão com arrecadação de apenas 20% do faturamento, o que inviabiliza o pagamento de todos as despesas para operação da frota”, disse o Setpes.
O Sindicato reforçou que repudia o protesto, que resultou na aglomeração de pessoas e as expôs ao risco da contaminação do novo coronavírus.
Parte dos ônibus já voltou a circular
Os rodoviários da Viação Tabuazeiro seguem com a paralisação de suas atividades, que teve início no dia 23 de abril, comprometendo assim parte do funcionamento do transporte coletivo de Vitória.
No entanto, desde esta quarta (6), os motoristas e cobradores das viações Grande Vitória e Unimar, que também haviam entrado em greve em solidariedade aos colegas, voltaram a trabalhar.
O Setpes afirma que eles não entraram em greve, mas estavam sendo impedidos de sair com os ônibus das garagens por funcionários da Viação Tabuazeiro.
Os rodoviários aceitaram as orientações da Justiça do Trabalho de retorno ao trabalho após o acordo feito em uma audiência de conciliação.
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