Informação foi publicada na noite desta terça-feira (6) pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Petrobras informou que não irá comentar.

A Petrobras informou ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, que irá cancelar o contrato mantido com o escritório dele, de acordo com reportagem publicada na noite desta terça-feira (6) pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Segundo o jornal, o escritório de Santa Cruz atuava em causas trabalhistas e, no ano passado, venceu causa estimada que evitou um pagamento, pela Petrobras, de R$ 5 bilhões em horas extras atrasados a funcionários embarcados nas plataformas de petróleo.

Ao jornal, Santa Cruz disse que entrará na Justiça com uma ação para reparação de danos. “Há claramente uma perseguição política em curso”, afirmou.

A Petrobras informou que não irá comentar o assunto.

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Bolsonaro falou sobre desaparecimento do pai de Santa Cruz

Santa Cruz foi alvo de um comentário do presidente Jair Bolsonaro na semana passada. Bolsonaro disse na ocasião que “um dia” contará ao presidente da Ordem como o pai do advogado desapareceu na ditadura militar, caso a informação interesse ao filho.

Segundo afirmou Bolsonaro na ocasião, Santa Cruz “não vai querer saber a verdade” sobre o pai. Depois, disse que Fernando Santa Cruz foi morto por companheiros da Ação Popular (AP), organização de esquerda na qual ele militava e classificada pelo presidente como “grupo terrorista”.

Documentos da Comissão da Verdade, da Marinha e da Aeronáutica indicam que o militante foi preso por agentes do regime militar um dia antes da data em que morreu.

O atestado de óbito diz que ele teve morte “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.

Santa Cruz entrou no STF na última quarta-feira (31) com um pedido de explicações. O ministro Luís Roberto Barroso deu 15 dias para que Bolsonaro, caso queira, se manifeste.

Na peça judicial, Felipe Santa Cruz afirma que não é a primeira vez que Bolsonaro o ataca e tenta desqualificar a memória do seu pai.

O presidente da OAB diz que o pai foi vítima de desaparecimento forçado praticado por agentes da ditadura, o que “foi oficialmente reconhecido pelo próprio Estado brasileiro, em reiteradas oportunidades”.

“As ofensas à memória de Fernando de Santa Cruz, bem como o contexto intimidatório da fala, parecem sugerir que o Exmo. Sr. Jair Bolsonaro pretende ofender diretamente o Requerente em sua dignidade e decoro, bem como desqualificar sua reputação. Embora ainda equívoca, pois situada na fronteira entre a bravata e a intimidação, a fala do Presidente da República aparenta poder se subsumir à figura típica de injúria e contra Felipe Santa Cruz”, escreveu.