Voluntárias escrevem cartas para mães com filhos internados e profissionais de saúde que combatem o coronavírus em SP


O projeto idealizado pelas amigas Yasmim e Ludmila já distribuiu 1.200 cartas nos hospitais do Tatuapé, Mandaqui, Pirituba e Santa Marcelina, na capital paulista. Profissional de saúde do Hospital Santa Marcelina exibe a carta e a flor recebida por voluntários do projeto “Brilha Flor”..
Acervo Pessoal
Sem poder abraçar os filhos que estão internados por causa do coronavírus, mães de pacientes internados no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, vão receber neste domingo (10) cartas de parabéns vindas de várias partes do país.
As pessoas que escreveram essas cartas não conhecem as mulheres que receberão as mensagens, mas imaginam a angústia que elas vivem no momento e resolveram doar parte do tempo delas para levar alguma palavra de conforto.
A iniciativa de apoiar essas mulheres nasceu de duas amigas que, mesmo separadas por 4.300 quilômetros, que é a distância entre Bogotá, na Colômbia, e São Paulo, decidiram trabalhar juntas para ajudar quem está nos hospitais em busca de notícia dos filhos.
No início, as cartas eram endereçadas às mulheres profissionais de saúde de hospitais públicos e particulares da capital paulista. Mas por conta do avanço da doença na periferia de São Paulo e das mães angustiadas que buscam informações dos filhos nos hospitais, as jovens aproveitaram o Dia das Mães para também homenagear as mulheres com familiares internados.
“Desde o início da pandemia, a gente já tinha feito várias campanhas para arrecadar alimentos, material de higiene pessoal e limpeza para moradores de rua. Mas percebemos que nesse período de crise generalizada muita gente quer ajudar, mas às vezes não tem dinheiro para contribuir. Foi quando tivemos a ideia de escrever e enviar essas cartas, como uma forma de confortar os profissionais de saúde e também as mães que estão passando por esse período tão difícil”, conta a publicitária Yasmin Hamid, de 26 anos, que mora em São Paulo.
As amigas Yasmin Hamid e Ludmila Lima, idealizadoras do projeto “Brilha Flor”, que escreve cartas para profissionais de saúde.
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Desde o início da pandemia, o projeto “Brilha Flor”, idealizado pelas duas jovens, já distribuiu 1.200 cartas nos hospitais do Tatuapé, Mandaqui, Pirituba e Santa Marcelina.
“A gente percebeu que, através das cartas, a gente está levando conforto não só para quem recebe essas mensagens, mas também para quem escreve. Porque é possível perceber pelas mensagens que chegam que há uma carga emocional muito forte em quem escreve essas mensagens. São pessoas que abrem o coração verdadeiramente para alguém que elas nem conhecem, mas que gostariam muito de demonstrar a gratidão e o respeito nesse momento”, contra a modelo Ludmila Lima, de 27 anos, que mora em Bogotá, na Colômbia.
Apesar de estarem em países diferentes, as duas jovens dividem as tarefas igualmente. Enquanto Ludmila, de Bogotá, lê todas as cartas, faz a triagem delas e arrebanha mais voluntários na internet para participar da iniciativa, em São Paulo, Yasmin também se comunica com os hospitais, imprime ou recebe as cartas pelo correio, envelopa tudo e faz a entrega para os profissionais de saúde.
“Parece bobagem para alguns, mas é incrível como as pessoas se apresentam voluntariamente para ajudar em momentos como esse. A gente começou com cartas apenas, mas alguns voluntários ofereceram dinheiro para comprar rosas e, nesse caso do Dia das Mães, por exemplo, a gente recebeu um lote de sabonetes de uma moça que fabrica e, junto com as cartas para as mães, vamos distribuir também esse sabonetes”, afirma Hamid.
Profissionais de saúde da Zona Leste de São Paulo recebem as cartas do projeto “Brilha Flor”.
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“Eu não a conheço pessoalmente. Mas gostaria que você soubesse que sempre foi importante e agora é ainda mais importante para a sociedade, nesse momento da pandemia (…) Saiba que sua força, sua garra e perseverança tem nos inspirado cada dia mais a nos tornarmos seres humanos melhores e tem nos feito enxergar o quanto é essencial olhar para o próximo…” (Trecho de uma das cartas escrita pela voluntária Helena, de SP)
Outra ponta
O gesto que aparentemente pode parecer simples, tocou muitos profissionais de saúde que receberam essas cartas nos hospitais.
“Achei o presente muito sensível e delicado. Ele tem um valor simbólico que me tocou muito porque, nesse momento, eu tenho me sentido muito sozinha. Sozinha por não ter poder de decisão sobre o horário que vou trabalhar, porque o profissional de saúde nesse momento está sendo muito exigido, e sozinha por não poder ver a minha família, por significar um risco para eles”, afirma a enfermeira Cristina Settervall, que trabalha no Hospital do Mandaqui e recebeu há duas semanas uma dessas correspondências.
A opinião é compartilhada pela também enfermeira Miriam Ruedi, do mesmo hospital da Zona Norte da capital: “No momento que nós estamos vivendo, receber um mimo de uma pessoa desconhecida é muito gratificante. Saber que tem alguém preocupado em agradecer por a gente estar trabalhando, às vezes sem opção de querer ou não estar dentro de um hospital numa situação dessas, é muito emocionante. É sensacional essa preocupação das pessoas de fora com quem está na linha de frente, se expondo a tudo isso”, afirma.
Passado o Dia das Mães, as meninas do projeto “Brilha Flor” têm uma meta ambiciosa: escrever 1.200 novas cartas para os trabalhadores do Hospital das Clínicas de São Paulo. Para tanto, elas pedem a colaboração de outras pessoas que gostariam de enviar alguma palavra de apoio a esses profissionais, através do e-mail do grupo.
“Hoje nós praticamente triplicamos as cartas que a gente recebe. Para cada carta a gente faz três cópias, para não haver repetição de mensagens no mesmo hospital. Mas para um hospital do tamanho do HC, isso é mais difícil. Então, quem quiser colaborar, a gente vai ficar muito feliz de ter mais gente nessa corrente”, diz Ludmila Lima, que também tem pedido ajuda para a comunidade brasileira que mora em Bogotá, na Colômbia.
Profissionais de saúde do hospital Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo, recebem as cartas do projeto “Brilha Flor”.
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As cartas, segundo as duas jovens, podem ser escrita por pessoas de todas as idades.
“As palavras tem um poder inimaginável no mundo, especialmente quando a gente se sente sozinha, angustiada. Como mãe recente, poder levar algum conforto para outras pessoas que estão expostas, colocando a vida delas em risco por nós, talvez seja o melhor presente que eu mesmo possa dar pra mim. Acho que é uma corrente em que todo mundo está ganhando”, declara Yasmin, mãe da Laura, de quatro meses.
Serviço: Projeto Brilha Flor
Contato: [email protected]
Cartas e lembranças de Dia das Mães, que serão distribuídas entre as mães dos pacientes com coronavírus do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo.
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Carta escrita por voluntários do projeto “Brilha Flor”, em São Paulo.
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Mensagem escrita pelos voluntários do projeto “Brilha Flor”.
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Carta escrita para os profissionais de saúde que combatem o coronavírus em São Paulo.
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Carta escrita pelos voluntários do projeto de São Paulo.
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By Negócio em Alta