
Mulher começou a vender a bebida quando estava grávida da filha. Ela ainda enfrentou a separação e reinventou o comércio oferecendo diversos produtos em MS. De garapeira a empresária, mulher conta história de superação em MS
Maria Queiroz/Arquivo Pessoal
Quando tudo começou, na década de 80, o Centro de Campo Grande ainda era de poucas lojas. Mas é ali, na rua Barão do Rio Branco, que a então garapeira iniciou o próprio negócio. Na época, grávida, ela passou a fidelizar clientes, enfrentou a separação do casamento, reinventou o comércio com sucos energéticos, salgados e hoje se orgulha do caminho que trilhou, ao “formar” um filho chefe de cozinha e professor universitário e a outra filha enfermeira.
“Estou no mesmo local há 35 anos, na Barão entre a Calógeras e a rua 14 de julho. Tenho o maior orgulho em dizer que é daqui que tiro o sustento e hoje ajudo famílias, pois, tenho mais 6 funcionários trabalhando comigo. Minha filha se formou enfermeira, já foi chefe no setor dela em um hospital e recentemente casou e está cuidando da minha netinha, de 10 meses. Meu filho, estudou gastronomia, fez cursos em Paris e em São Paulo, tudo com o suor do meu trabalho”, disse ao G1 Maria Alves de Queiroz de 53 anos.
Segundo Maria, quando abriu o negócio, tinha licença da prefeitura para funcionar com somente quatro cadeiras na calçada. “Tinha uma portinha, o caldo de cana de um engenho usado, nove copos e um freezer velho. Não foi nada fácil, principalmente porque eu sempre quis colocar os meus filhos em escola particular e, em época do frio, não vendia nada. Tinha uma lanchonete ao lado e eu fica olhando as vendas e pensando nas contas, desesperada”, relembrou.
Empresária ao lado de algumas funcionárias, no centro de Campo Grande
Maria Queiroz/Arquivo Pessoal
Visita do fiscal
Com o tempo, Maria conta que veio a separação e ela ainda recebeu a visita de um fiscal da prefeitura exigindo a regularização do comércio. “Ele pediu para tirar as cadeiras e me deu um papel para comparecer na prefeitura. No outro dia, fui lá conversando com Deus, falando que eu precisava de algo a mais, porque não tinha muito dinheiro. Quase chegando, tinha um lugar chamado ‘O Ponto do Guaraná’ e eu, que nunca gastava um centavo na rua, pedi uma coca-cola. Ali, nem sabia, mas, Deus já estava me ajudando”, afirmou.
Após tomar a bebida, Maria conta que entrou na prefeitura e encontrou o mesmo fiscal que foi em seu estabelecimento, dizendo a ele que “precisava resolver a situação”. “Ele me levou direto para falar com o responsável e esta pessoa me deu a licença para ter não só quatro cadeiras como nove jogos de mesa. Ele me liberou e ainda não cobrou nada durante um ano. Fiquei com aquilo na cabeça e, no outro dia, chamei uma amiga para ir naquele lugar onde tomei a coca. Lá, outro milagre já estava acontecendo”, ressaltou.
Empresária diz que “Dia das Mães” será um momento especial, mesmo em meio à pandemia
Maria Queiroz/Arquivo Pessoal
De acordo com Queiroz, ao pedir o suco energético, ao invés da bebida, ela questionou o funcionário sobre a bebida. “Eu queria saber como fazia aquele suco e o rapaz falou: ‘O dono tá ali no fundo’. Ele veio, falou comigo e, por sorte, o representante e criador da bebida estava lá também. De início, me ofereceu sociedade, mas, como eu não aceitei, ele me ajudou dando kits do suco. A partir dali, passei a fazer salgados também e meu filhos eram pequenos e sempre me ajudaram. No caso do meu menino, acho até que foi ali que nasceu o dom e a paixão dele pela gastronomia”, comentou.
Da garapa, após 11 anos de funcionamento, o negócio passou a contar com sucos, salgados e hoje possui extenso cardápio. “Tenho diversos sucos energéticos, suco detox e açaí que já vendo há 18 anos. Falam nisso agora, mas, fui pioneira aqui. Sempre trabalhei, de segunda a sábado. Só descansava no domingo e em alguns feriados. E assim fui construindo minhas coisas, tenho casas e carro próprio e o mais importante: elogios dos meus clientes, amor dos filhos e muita fé em Deus”, falou.
Empresária com a netinha de 10 meses em MS
Maria Queiroz/Arquivo Pessoal
No domingo (10), em que é comemorado o Dia das Mães, ela fala da felicidade ao estar ao lado dos filhos. Conforme Maria, será o momento de fazer um almoço diferenciado para curtir a família e a netinha, claro, tomando todos os cuidados do distanciamento social e também fazendo o uso de máscaras.
“Não é fácil viver sozinha, mas, também não é um bicho de sete cabeças. Teve o tempo em que os filhos foram embora de casa, a mais velha casou e o outro mora atualmente em São Paulo. Mas, tenho o maior orgulho, meu menino já atuou em restaurantes renomados e fez o teste do Covid-19 para vir e ficar aqui comigo. Tenho muito a agradecer, tanto a eles como aos meus funcionários”, finalizou.
Empresária diz possuir maior orgulho ao “formar” filhos vendendo garapa e outros alimentos
Maria Queiroz/Arquivo Pessoal
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