
Objetivo do projeto ‘Tatu-canastra Uberaba’ é estudar e preservar a espécie, que está ameaçada de extinção. Tatu-canastra está em extinção
Reprodução/TV Integração
No quadro TV Bicho deste sábado (2), o MG1 mostrou o trabalho de um grupo de pesquisadores que criou o projeto “Tatu-canastra Uberaba”. Inspirada no Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas), do Mato Grosso do Sul, a iniciativa tem o objetivo de monitorar, conservar e preservar a espécie que está ameaçado de extinção.
O projeto surgiu em 2007, quando os pesquisadores fizeram um trabalho na Reserva Particular de Patrimônio Natural Vale Encantado (RPPN-VE), que fica na região da Área de Preservação Ambiental (APA) do Rio Uberaba. No local foram identificados os primeiros registros que indicavam a presença do Priodontes maximus.
“Na época, tivemos a preocupação de conhecer essa região e começamos a desenvolver alguns trabalhos e educação ambiental no local”, contou o biólogo William Raimundo Costa.
Projeto em Uberaba monitora e estuda tatu-canastra em Uberaba
De dia, o tatu-canastra tem hábito semifossorial, que é de o costume de ficar embaixo da terra. “Quanto a gente localiza um buraco, medimos profundidade, altura, largura e ângulo da escavação. A partir destas medidas a gente vai determinar se realmente é uma toca de tatu-canastra, já que ela também é usada por mais 80 espécies”, contou Igor Ugliani, técnico em agropecuária.
À noite, ele sai dos buracos para ir atrás de alimentos, como formigas e cupins. Por isso, para tentar registrar o animal, o grupo usa as “cameras trap” , que são armadilhas fotográficas.
Biólogo Raul Sbroia Neto coloca camera trap para registrar tatu-canastra em Uberaba
Reprodução/TV Integração
“Armamos a câmera próximo ao local onde achamos que o animal pode passar e vamos acompanhando os registros e, se for necessário, trocamos a câmera de lugar”, disse o biólogo Raul Sbroia Neto.
Infelizmente, o tatu-canastra está na lista de animais extintos no Brasil. Não há estimativa de quantos ainda habitam o cerrado mineiro. Por isso, a educação ambiental pode ser uma solução para conservar o que sobrou da espécie.
“O tatu-canastra é uma espécie que se adapta muito pouco ao contato com os seres humanos. À medida que as fronteiras urbanas e agrícolas vão avançando, essas áreas de habitat natural do tatu começam a ficar mais restritas, porque eles não lidam bem com essa aproximação. Há muita coisa produzida sobre esse animal, mas ainda há muita coisa para ser aprendida. Por isso, a importância de estudar e preservar esta espécie”, afirmou William.
Buraco do tatu-canastra encontrado em Uberaba
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Maior tatu do mundo
O tatu-canastra, conhecido também como tatu gigante, pode chegar a medir 1,5 metro de comprimento e pesar 60 quilos, equivalente ao tamanho e peso aproximados de uma criança de 13 anos.
Capaz de construir tocas com mais de 40 centímetros de largura e 30 centímetros de altura, a espécie é considerada “engenheira do ecossistema” já que, com as escavações, é capaz de alterar o ambiente e criar novos habitats.
Característico do Cerrado, o tatu-canastra também pode ser encontrado em outros biomas do Brasil e da América Latina como Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica, mas a ocorrência é muito rara.
Os jovens da espécie são potenciais presas de onças-pardas e onças-pintadas, já os adultos dificilmente são predados, pois a forte carapaça os protegem.
No cardápio do tatu-canastra constam predominantemente cupins e formigas.
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