
São 44.411 pessoas em todo o Estado com a doença; 4 a cada dez casos e óbitos ocorreram em cidades do interior, litoral e Grande São Paulo Dados de mortes e casos confirmados de coronavírus em São Paulo no dia 8 de maio
Reprodução/Governo de São Paulo
O estado de São Paulo chegou neste sábado-feira (6) à marca de 3.608 mil mortes causadas pelo coronavírus, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Foram 192 novas mortes em 24 horas
O governador João Doria (PSDB) prorrogou a quarentena em todo o estado de São Paulo até o dia 31 de maio. De acordo com o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, o aumento nas mortes registradas nos últimos 15 dias se deve à queda na adesão ao isolamento social.
A cada dez vítimas fatais, quatro residiam em municípios do interior, litoral e Grande São Paulo. A proporção é a mesma com relação ao número de infectados, que totaliza 44.411 pessoas em todo o Estado.
Mortes por Covid-19 em SP dobram em 15 dias e podem chegar a 10 mil até fim de maio; governo atribui piora à queda no isolamento
Das 645 cidades de SP, 409 já têm pelo menos um caso confirmado de Covid-19 e um ou mais óbitos ocorreram em 176 municípios.
Cerca de 500 internações ocorreram nas últimas 24 horas. Neste sábado (9), são mais de 9,5 mil pacientes internados em São Paulo, sendo 3.794 em UTI e 5.734 em enfermaria. A taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para atendimento a Covid-19 é de 68,4% no estado de São Paulo e 87,2% na Grande São Paulo.
Perfil da mortalidade
Entre as vítimas fatais, estão 2.120 homens e 1.488 mulheres.
Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 73,3% das mortes. Observando faixas etárias subdividas a cada dez anos, nota-se que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (893 do total), seguida por 60-69 anos (812) e 80-89 (700). Também faleceram 241 pessoas com mais de 90 anos. Fora desse grupo de idosos, há também alta mortalidade entre pessoas de 50 a 59 anos (495 do total), seguida pelas faixas de 40 a 49 (268), 30 a 39 (153), 20 a 29 (34) e 10 a 19 (9), e três com menos de dez anos.
Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (58,9% dos óbitos), diabetes mellitus (44%), doença neurológica (11,4%), doença renal (11,1%) e pneumopatia (10,1%). Outros fatores identificados são imunodepressão, obesidade, asma e doenças hematológica e hepática.
Esses fatores de risco foram identificados em risco: 2.903 pessoas que faleceram por Covid-19 (80,5%) do total.
Enquanto a taxa de ocupação dos leitos de UTI, as mortes e os casos confirmados de Covid-19 aumentaram sistematicamente nos últimos 15 dias, o isolamento social em São Paulo permaneceu sempre abaixo dos 50% durante os dias úteis. O governo estadual atribuiu a piora nos índices à queda na adesão à quarentena.
Isolamento x lotação de leitos
Segundo porta-vozes do Centro de Contingência Contra o Coronavírus, o afrouxamento do isolamento, verificado desde a segunda semana de abril, pode fazer com que o estado chegue ao final de maio com até 10 mil mortes causadas pela doença. Até esta sexta-feira já foram registrados 3.406 óbitos – 210 deles só nas últimas 24 horas.
Nos últimos 15 dias a taxa de ocupação dos leitos de UTI aumentou 22% no estado de São Paulo e foi de 57,7% no dia 24 de abril para os atuais 70,5%. Na Grande São Paulo o aumento foi de 16%: a lotação dos leitos foi de 76,9% em 24 de abril para os 89,6% verificados nesta sexta-feira (8).
Nesse mesmo período em que as UTIs encheram, a taxa de isolamento se manteve sempre abaixo de 50% de segunda a sexta-feira, exceto em feriados ou emendas. A adesão à quarentena começou a cair sistematicamente a partir da segunda semana de abril.
De 24 de março, quando a quarentena foi decretada, até o dia 8 de abril, o índice nunca ficou abaixo de 50%, em qualquer dia da semana. Depois de 8 de abril, o índice só superou a barreira dos 50% em feriados, emendas e finais de semana.
A queda no isolamento e o aumento na ocupação das UTIs acompanham a disparada nos casos confirmados e nas mortes causadas por Covid-19 nos últimos 15 dias. As mortes cresceram 111% nos últimos 15 dias, ou seja, o total de óbitos mais que dobrou no período de duas semanas. Já os casos confirmados subiram 123% desde 24 de abril. O aumento foi ainda maior no interior e no litoral, onde a doença está se propagando quatro vezes mais rápido do que na capital.
“[Os dados mostram] um crescimento desde o início da quarentena até aqui, e com um agravamento nos últimos 15 dias em que, coincidentemente, se observou uma maior movimentação de pessoas e caiu a taxa de isolamento para 50%, 49%, 47%. Isso causou, provavelmente, estas condições que nós estamos vendo aqui hoje”, disse o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, durante coletiva na sexta-feira (8).
“Nós estamos prorrogando o período de quarentena, mas eu gostaria de ressaltar que a prorrogação tem eu estar acompanhada também de uma melhora da nossa taxa de isolamento. Taxa de isolamento que tem que estar aproximadamente entre 55% e 60%. Se não conseguirmos isso, nós teremos problemas para o atendimento dos pacientes”, destacou Germann.
“Eu peço a todos que fiquem em casa, salvem-se em casa e usem máscaras. Essas são as armas que os temos hoje para que esses números gradualmente diminuir”, disse o secretário estadual.
Coronavírus: Governo de SP prorroga quarentena até 31 de maio
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