Setor imobiliário sente reflexos da pandemia no interior de SP e busca alternativas


Queda nas vendas de imóveis usados chegou a 60% em Sorocaba (SP); imóveis novos sofreram impacto ainda maior, de quase 100%, avalia diretor regional do Secovi. Construtora de Sorocaba investiu em tours virtuais para mostrar imóveis aos clientes
Construtora Planeta/Divulgação
A pandemia do coronavírus afetou praticamente todos os setores da economia brasileira, inclusive o imobiliário, que ainda vinha se recuperando de crises anteriores. Com o isolamento social e fechamento de serviços não essenciais, esse mercado sente os reflexos e busca alternativas para contornar a queda nas vendas e locações.
Para driblar os plantões fechados, uma construtora de Sorocaba (SP), por exemplo, buscou novas ferramentas de atendimento, como o Zoom, Skype e Google Hangouts. Além disso, agora os clientes têm a opção de fazer tours virtuais pelos empreendimentos no conforto de sua casa.
A gerente de marketing da construtora sorocabana, Yulli Bambirra Assunção, conta que a empresa também encontrou uma maneira de continuar realizando seus eventos, que antes contavam com a presença do público, e hoje são promovidos a distância.
“É o caso dos meetings de vendas, que passaram a ser transmitidos virtualmente a imobiliárias e corretores parceiros a fim de que a força de vendas da construtora não pare. Plantões de vendas continuam funcionando, mas com atendimento agendado e individualizado, obedecendo as diretrizes estabelecidas pela Prefeitura de Sorocaba”, conta.
Os plantões de vendas sofreram o maior impacto, em contrapartida as obras em andamento não foram paralisadas. “Além de termos entregue uma obra no mês de abril e termos mais 2 entregas para este ano, uma delas em maio, estamos trabalhando para lançar três novos empreendimentos em 2020”, afirma Yulli.
Construtora de Sorocaba disponibilizou tours virtuais nos imóveis
Fernanda Szabadi/G1
Queda nas vendas
Mesmo com as ações das empresas do setor, os resultados previstos para o mercado este ano serão prejudicados e ficarão bem abaixo da expectativa. É o que avaliou o diretor regional do Sindicato da Habitação (Secovi) em Sorocaba, Guido Cussiol Neto, em entrevista ao G1.
“O mercado de imóveis usados teve um impacto de mais de 60% na queda das vendas, em relação a janeiro e fevereiro. Com relação ao ano passado, a queda foi de 30% a 40%. Já os imóveis novos sofreram um impacto absurdo, praticamente não houve vendas devido aos plantões fechados”, explica Guido.
Guido Cussiol Neto acredita que teremos uma grande virada a curto e médio prazo
Divulgação
De acordo com o diretor, o setor imobiliário na região vinha apresentando sinais de recuperação antes da pandemia, com fatores favoráveis como a baixa taxa de juros e inflação, mas dependente da melhora na renda das pessoas. Com a chegada do coronavírus ao País, houve reduções salariais e demissões, agravando esse terceiro fator.
“Hoje vamos voltar no quadro que se encontrava em 2017, 2018, com taxas baixas, porém não fechando o tripé da renda. Vai se agravar a questão do desemprego e as pessoas que estão no mercado com certeza terão vantagem na negociação de aluguel e compra de imóveis. Mesmo tendo aumento na produção, oferta estará maior que a demanda”, avalia.
Corretora de imóveis Andreza Carraro notou mudança no comportamento dos consumidores na pandemia
Andreza Carraro/Arquivo pessoal
Além da queda nas vendas no período da pandemia, a corretora de imóveis Andreza Carraro também notou uma mudança no comportamento dos consumidores. “A gente trabalha muito online, mas pararam os contatos, telefonemas e visitas por uns 15 ou 20 dias. Depois retomou, não como antes, mas as pessoas estão procurando. Porém com uma mudança de comportamento. Acho que o mercado está mais especulador do que comprador”, diz.
O diretor do Secovi em Sorocaba pondera: “Os preços [dos imóveis] devem se manter, com uma tendência de queda devido à oferta. Os imóveis hoje já não estavam num patamar elevado, já vinham com preço abaixo. Futuramente, se a questão econômica melhorar, deve haver a manutenção nos valores”.
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By Negócio em Alta