Se ligue nos links (2 de maio)


O antiviral remdesivir, produzido em laboratório nos Estados Unidos
Gilead Sciences via AP
1) A revista da Associação Médica Americana (Jama) publicou o estudo em que pesquisadores brasileiros do Amazonas constataram o dano cardíaco provocado por doses altas da droga cloroquina em pacientes de Covid-19. Na Science, Derek Lowe critica os dados preliminares publicados a respeito do antiviral redemsivir no New England Journal of Medicine, aguardados desde o início de abril, como informava reportagem no Stat. Na Vanity Fair, William Cohan narra como a expectativa em torno desses dados bastou para gerar um movimento especulativo no mercado financeiro. No New York Times, Cohan critica os bilionários que têm se aproveitado do vírus para lucrar. Estudo publicado na Lancet por pesquisadores chineses não constatou nenhum benefício no uso do redemsivir em Hubei. Em comentário na própria Lancet, John David Norrie discute a dificuldade de interpretar tais resultados. Uma extensa pesquisa na Nature identificou uma lista de 69 drogas já disponíveis, 29 delas já aprovadas, que poderiam demonstrar eficácia no ataque a proteínas produzidas pelo novo coronavírus Sars-CoV2. Também na Nature, Timothy Caulfield desanca a pseudociência que tem cercado o debate em torno da Covid-19 e sugere que a comunidade científica lance mão de porretes para combatê-la.
Teste de anticorpos para o novo coronavírus no Distrito Federal
Leopoldo Silva/Agência Senado
2) A Nature também publicou um guia gráfico para os oito tipos de vacina em estudo contra o Sars-CoV2. Uma reportagem interativa no New York Times permite simular as várias fases e estimar os prazos até a obtenção da vacina. Ainda na Nature, pesquisadores chineses relatam que o vírus produziu inunidade duradoura em 100% dos pacientes testados ao longo do tempo. O Inquirer reproduz reportagem afirmando que os 260 coreanos que voltaram a testar positivo para o Sars-CoV2 depois de curados se deviam a falhas nos testes. A Reuters, em contrapartida, noticia que diversos pacientes chineses de Wuhan não conseguem se livrar do vírus e, mesmo sem manifestar mais sintomas da Covid-19, continuam a disseminá-lo. Um estudo preliminar de pesquisadores vietnamitas divulgado no repositório MedRxiv constata diversos casos de falso negativo para pacientes sem sintomas, em particular no início da infecção. Na Universidade de Oxford, John Bell diz que, até hoje, nenhum teste para a doença tem desempenho aceitável. O nova-iorquino Mount Sinai Hospital decidiu desenvolver um pseudo-vírus para avaliar a eficácia dos anticorpos contra o Sars-CoV2. Em estudo preliminar também no MedRxiv, cientistas dinamarqueses usam testes de anticorpos para estimar a proporção da população infectada e a letalidade da Covid-19, mas os resultados só levaram em conta quem tem menos chance de morrer.
O governador Andrew Cuomo durante entrevista coletiva, em 23 de março de 2020
Mike Segar/Reuters
3) De acordo com avaliação do Imperial College, o Brasil é o país de contágio mais rápido e um dos dois em que a pandemia tem o risco de matar mais de 5 mil pessoas nesta semana (o outro são os Estados Unidos). O Covid19Projections estima mais de 80 mil mortos até o início de agosto. Em entrevista à New Yorker, Sérgio Dávila discute o papel do presidente Jair Bolsonaro no agravamento da pandemia. Na New York Review of Books, Shannon Pufahl descreve a dor representada pela contagem dos mortos. A Spiegel explica por que os Estados Unidos estavam absolutamente despreparados para enfrentar o vírus. Na reportagem de capa da Vanity Fair, Chris Smith relata como o governador nova-iorquino Andrew Cuomo se tornou uma espécie de antídoto para o desgoverno que emana da Casa Branca. Em estudo preliminar no repositório PsyArXiv, pesquisadores canadenses discutem a interferência das opiniões políticas nas opiniões sobre a pandemia. Na Bloomberg, John Ainger explica por que Bruxelas é a cidade em que a Covid-19 apresenta sua taxa de letalidade mais alta.
4) A Bloomberg também traz um resumo em gráficos e mapas com os principais indicadores da pandemia. O Epiforecasts acompanha as taxas de contágio no planeta e permite simular os casos para os próximos dias – novamente o Brasil aparece entre as principais preocupações. O Reichlab produz uma média de vários modelos estatísticos para tentar prever as mortes pela pandemia nos Estados Unidos. A Fiocruz traz todos os dados brasileiros num banco de dados interativo e também permite simular previsões. o Portal da Transparência do Registro Civil atualizou as informações de cartórios a respeito das mortes por doenças respiratórias. O Google e o CityMapper acompanham o nível de isolamento social em diversos locais do planeta.
Sala de aula vazia em escola pública de Alagoas
Valdir Rocha
5) No PollingData, Neale El-Dash propõe um simulador que aponta mais riscos em permitir a volta indiscriminada às aulas no Brasil do que na suspensão da quarentena para quem tem menos de 50 anos. Uma revisão de pessquisas no Don’t Forget The Bubbles (DFTB), noticiada na Bloomberg e na Economist, afirma que, ao contrário, as quarentenas deveriam começar a ser suspensas pela permissão de que as crianças retornassem às escolas. Um estudo sobre a transmissão do vírus na China, publicado na Science, recomenda exatamente o contrário. O resultado também é corroborado por uma pesquisa preliminar chinesa divulgada no repositório MedRxiv.
As medidas de contenção de Hokkaido pareciam estar funcionando, mas os casos voltaram a crescer
GETTY IMAGES via BBC
6) O American Enterprise Institute apresenta uma estratégia para a retomada das atividades depois da quarentena. A fundação italiana Gimbe elaborou uma lista de indicadores para identificar as regiões do país de acordo com o risco de novos surtos do vírus. Reportagem no Asahi Shinbum apresenta um mapa com as regiões mais atingidas no Japão. Reportagem na Time relata como a província japonesa de Hokkaido saiu da quarentena antes do que deveria e sofreu uma explosão nos casos e nas mortes. Na Science, Kai Kupferschmidt e Gretchen Vogel discutem os riscos da reabertura na Alemanha. Na Foreign Policy, Elizabeth Braw afirma que, apesar da atenção voltada para China e Estados Unidos, é dos alemães que tem emanado a liderança no combate à pandemia.
Imagem de tela de smartphone com aplicativo de rastreamento da Covid-19, em 23 de abril de 2020
Paresh Dave/Reuters
7) No terceiro post de sua série sobre a Covid-19 no Medium, Tomás Pueyo destaca a relevância do rastreamento de contatos para conter novos surtos do vírus. Vídeo no Washington Post explica por que as tecnologias de rastreamento se tornarão essenciais daqui para frente. Dado sequência a um estudo sobre o tema publicado em fevereiro na Lancet, epidemiologistas do britânico Centro para Modelagem Matemática de Doenças Infecciosas (CMMID) divulgaram no repositório MedRxiv um estudo preliminar estimando que, no Reino Unido, seria necessário rastrear entre 20 a 30 contatos diários por nova infecção, o que resultaria em manter sob quarentena entre 150 mil e 400 mil pessoas todo dia. Outro estudo de pesquisadores chineses, também na Lancet, constata que a eficácia do rastreamento é incerta e depende da quantidade de infectados sem sintomas.
Manifestante com máscara de proteção participa de comício durante o Dia Internacional do Trabalho, em Atenas
Petros Giannakouris/AP
8) Em seu post anterior no Medium, Pueyo levantava as medidas mais simples e fáceis de adotar para evitar o contágio, como o uso de máscaras. No Quillette, Jonathan Kay discute a dificuldade científica de entender como o vírus é transmitido na prática. Uma revisão de estudos no Preprints endossa o uso das máscaras. Outro estudo preliminar divulgado no MedRxiv questiona a transmissão pelas gotículas de saliva projetadas em conversas de perto. Pesquisa publicada na Nature revela que, quanto mais alta a voz, maior o risco.
Imagem do Sars-CoV-2, o novo coronavírus responsável por causar a Covid-19
Scientific Animations/Wikimedia Commons/Divulgação
9) Na Quanta, Tara Smith explica o que outros coronavírus nos ensinam sobre o Sars-CoV2. Um gráfico interativo no New York Times permite desvendar todas as mutações pelas quais o novo coronavírus tem passado. Estudo preliminar divulgado no MedRxiv questiona se tais mutações são capazes de torná-lo mais letal. Outro estudo preliminar, no BioRxiv, reforça a hipótese de que o Sars-CoV2 vem de morcegos.
10) Reportagem na Science descreve como o vírus ataca diferentes partes do corpo e discute as incógnitas sobre como ele mata. Também na Science, Jennifer Couzin-Frankel indaga por que, em tantos pacientes, os níveis de oxigênio caem a níveis baixíssimos sem que eles sintam falta de ar. Em estudo preliminar no MedRxiv, pesquisadores brasileiros sugerem que a causa está ligada a problemas na coagulação sanguínea. Outro estudo preliminar no MedRxiv levanta a hipótese de uma reação autoimune exacerbada.
A “influencer digital” Gabriela Pugliesi, que publicou imagens de uma festa em casa em plena pandemia, depois apagou e pediu desculpas
Reprodução/Instagram/gabrielapugliesi
11) Na Vanity Fair, Kenzie Bryant noticia a crise entre celebridades das redes sociais que têm cometido gafes ligadas à pandemia.
12) No Guardian, Andrew Anthony conta as outras preocupações de quem anteviu a pandemia.
13) No Five Books, o economista Ricardo Reis recomenda cinco livros essenciais para combater a crise.
Pôster do filme ‘Contágio’
Divulgação/Warner Bros.
14) Na Jama, Walter Dehority historia como as pandemias foram tratadas pelo cinema ao longo de um século.
O escritor francês Albert Camus em 17 de outubro de 1957, pouco depois de ter sido anunciado como ganhador do Nobel de literatura
Stringer/AFP
15) A New York Review of Books abriu a não-assinantes o ensaio do historiador Tony Judt publicado em 2001 sobre o romance A Peste, de Albert Camus – criticado por Mario Vargas Llosa no espanhol El País.

By Negócio em Alta