Quase 50% dos profissionais de saúde ouvidos pelo MPT em MG denunciam que trabalhadores com sintomas de Covid-19 não são dispensados


Balanço realizado nos meses de março e abril foi divulgado nesta quinta-feira (30). Maior parte de reclamações vem de médicos em enfermeiros de Belo Horizonte. Profissionais de saúde protestaram por pedindo melhores condições de trabalho em BH nesta segunda-feira (27)
Odilon Amaral / TV Globo
Dos 572 profissionais de saúde ouvidos pelo Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT) entre março e abril, 48% reclamam que médicos e enfermeiros com sintomas de Covid-19 estariam sendo obrigados a trabalhar.
O dado faz parte de um balanço divulgado nesta quinta-feira (30) pelo órgão. Ele mostra ainda que apontou que 57% dos entrevistados reclamam da oferta de roupas e da falta de descanso. A mesma pesquisa mostra que 41% afirmam que o uso da máscara N95 em UTIs não esta sendo cumprido. Este número chega a 49% quando o assunto é equipamentos de proteção individual (EPIs).
De acordo com o MPT, os problemas estão acontecendo no Hospital de Pronto Socorro João XXIII (o maior do estado), no Hospital Eduardo de Menezes (referência em doenças infectocontagiosas), no Hospital Risoleta Neves, no Hospital Alberto Cavalcanti, no Hospital Júlia Kubitscheck, na Maternidade Odete Valadares e no Hospital das Clínicas, além das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Pampulha, Centro-Sul e Leste. Todos estes hospitais de saúde e unidades de saúde ficam em Belo Horizonte.
A capital mineira é a que concentra o maior número de casos do novo coronavírus no estado, 576, e de mortes, 17.
Protesto
Nesta segunda-feira (27), profissionais do Hospital Júlia Kubitscheck protestaram contra a falta de equipamentos de proteção individual. Na oportunidade a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) informou que vem recebendo entregas parceladas da Secretaria de Estado de Saúde, referente ao fornecimento de EPI e não houve desabastecimento de nenhum EPI a nenhuma das unidades que compõe a rede, sendo que os estoques estão sendo verificados diariamente.
Ainda segundo a fundação, foi aberto um chamamento público para contratação emergencial de diversos profissionais.
Notificação
O MPT informou que notificou todos os hospitais e unidades de saúde citados por médicos e enfermeiros para se manifestarem sobre as denúncias.
O G1 aguarda posicionamento da Fhemig sobre as demais reclamações, da Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelas Upas, e do Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Minas Gerais. Ninguém foi encontrado para responder pelo Hospital Luxemburgo.

By Negócio em Alta