Protestos contra a morte de George Floyd já duram dez dias nos EUA

Dez dias depois da morte do irmão, Terrence Floyd foi até Nova York, num dos marcos pela liberdade no Brooklyn, para falar a uma multidão. Protestos contra o racismo nos EUA entram no décimo dia
Os protestos contra o racismo nos Estados Unidos entraram, nesta quinta (4), no décimo dia; e cresceram com a participação de dezenas de cidades. Os manifestantes que já andaram dezenas e dezenas de quilômetros dentro de Nova York, nesta quinta pararam por um momento.
Dez dias depois da morte do irmão, Terrence Floyd foi até o local, num dos marcos da luta pela liberdade no Brooklyn, para falar a uma multidão.
Milhares de pessoas ouviram Terrence Floyd pedir protestos pacíficos e união; e dizer emocionado: “Poder ao povo. Não apenas ao meu povo, não apenas ao seu povo, não apenas ao povo que eles consideram importante, estou falando de poder para todos nós”.
Foi o momento em que os manifestantes ouviram lideranças, refletiram sobre o rumo do movimento nacional que ajudaram a criar e se emocionaram. Depois, de volta à caminhada que eles querem que leve a um país diferente – e que não tem sido interrompida, nem com tempestade como a desta quarta (3).
“Vocês podem ver que são centenas de manifestantes. Acabou de cair um dilúvio aqui no Brooklyn, ninguém deu bola para isso, todo mundo continuou e parece que esses manifestantes ainda vão continuar ainda por muito tempo”, contou a repórter Carolina Cimenti nesta quarta.
E eles continuaram, mesmo depois do toque de recolher. Até que um comandante da polícia disse: “Acabou a tolerância”.
Sem tolerância, os policiais tentaram dispersar os manifestantes no Brooklyn com truculência. Houve confusão, empurra-empurra e prisões.
Violência também em Manhattan, no coração de Nova York, onde três policiais foram flagrados batendo em um ciclista.
A polícia chegou em grade concentração, várias viaturas. Manifestantes foram presos e os policiais fizeram um cerco em volta dos que insistiam em permanecer na rua; 180 pessoas foram presas nesta quarta em Nova York, quase todas por violar o toque de recolher.
Em várias outras cidades, os manifestantes desrespeitaram os horários impostos pelas autoridades para o fim dos protestos. Mas mesmo nessas cidades as chamas dos incêndios foram ficando mais raras, foram dando espaço para a luz dos celulares que iluminaram os protestos em Denver, e também em Washington, onde os manifestantes cantaram ajoelhados à luz dos telefones. E assim, pacificamente, eles desrespeitaram o toque de recolher. E ninguém foi preso.
Nesta quinta, a prefeita da cidade suspendeu o toque de recolher porque, nos últimos dois dias, os protestos foram pacíficos. Os manifestantes passaram o dia marchando por várias partes da cidade. E, em vários momentos, se ajoelharam e ficaram em silencio por 8 minutos e 46 segundos, tempo em que George Floyd ficou imobilizado pela polícia.
Em Los Angeles, o toque de recolher também acabou. O mar de gente que ocupou a cidade pacificamente mostrou que eles precisam ser ouvidos, e não contidos.

By Negócio em Alta