Sindicato dos Médicos alerta que medida vai prejudicar atendimento no Souza Aguiar, Miguel Couto, Lourenço Jorge e Salgado Filho. Secretaria de Saúde nega. Prefeitura publica remanejamento de profissionais para hospital de campanha do Riocentro
A Prefeitura do Rio determinou a transferência imediata de 110 médicos de quatro grandes hospitais municipais para o Hospital de Campanha no Riocentro, na Zona Oeste da cidade, por causa da pandemia da Covid-19.
Entre os médicos transferidos há cirurgiões, anestesiologistas, infectologistas, neurologistas, clínicos gerais, ortopedistas e otorrinolaringologistas.
A resolução 4.389, assinada pela secretária municipal de Saúde, Beatriz Busch, foi publicada no Diário Oficial do último domingo (3). O texto determina que 110 médicos dos hospitais municipais Souza Aguiar, no Centro; Miguel Couto, na Zona Sul; Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca; e Salgado Filho, no Méier, cumpram 12 horas da sua carga horária no hospital de campanha no Riocentro.
O Sindicato dos Médicos do Rio diz que as transferências vão prejudicar pacientes com outras doenças que dependem desses médicos.
“Essa decisão escancara o déficit histórico de médicos que existe na rede municipal. O cobertor é curto. Pessoas com outras morbidades vão ser afetadas por essa opção da prefeitura. Apesar da pandemia da Covid-19, as pessoas continuam quebrando braço, perna. Por isso, não podemos tirar os ortopedistas dos hospitais. As pessoas também vão continuar infartando. Por isso também precisamos de cirurgiões vasculares nessas unidades”, disse Alexandre Telles, presidente do Sindicato dos Médicos.
Telles diz ainda que os médicos foram transferidos de maneira compulsória, e sem consulta prévia.
Secretaria nega prejuízo no atendimento
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio negou que o remanejamento dos médicos para o hospital de campanha vá prejudicar o atendimento nos hospitais municipais. A pasta diz que os médicos transferidos são profissionais que tiveram a rotina reduzida por causa da suspensão de cirurgias eletivas e da diminuição dos casos de traumas nas suas unidades de origem.
“O remanejamento de médicos não vai afetar de forma alguma o atendimento nas suas unidades de origem. Os médicos transferidos são profissionais que tiveram a rotina reduzida por causa da suspensão das cirurgias eletivas e a diminuição dos traumas nas suas unidades. A medida permitirá a ampliação dos atendimentos no hospital de campanha neste momento de urgência da pandemia. A RioSaúde, gestora do hospital, segue contratando profissionais de saúde para abrir mais leitos na unidade de campanha. Até o dia 3 de maio, já foram efetivadas 1.872 contratações, sendo 484 médicos”.
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