
Vereadores aprovaram a medida nesta sexta (1). Empresa que era responsável pela administração não estaria realizando enterros gratuitos, como determina a lei. Ruas movimentadas de Duque de Caxias no mês de abril, após início da pandemia
Reprodução – TV Globo
Os vereadores de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, aprovaram, por unanimidade, a encampação dos cemitérios da cidade enquanto durar o período de calamidade pública provocado pela pandemia da Covid-19.
A medida, que transfere a administração dos cemitérios do município para a prefeitura, foi votada na Câmara de Vereadores, em sessão extraordinária, nesta sexta-feira (1).
A ação dos vereadores foi motivada por denúncias contra a funerária responsável pela administração desses locais, a AG-R Eye Obelisco Serviços Funerários. Segundo os moradores de Duque de Caxias, a empresa não estaria realizando enterros gratuitos, conforme determina um TAC assinado pela funerária, a administração municipal e o Ministério Público.
“Segundo as famílias, eles estão cobrando mais de R$ 2 mil por um enterro. Não estão fazendo os enterros gratuitos aos fins de semana. Enfim, vamos acabar com esse problema, pelo menos, nesse período da pandemia. A Prefeitura vai assumir esse ônus”, afirmou o vereador Júnior Reis.
Frigorífico ao lado do cemitério
Na última sexta-feira, os moradores do bairro Vila Operária, ficaram assustados com a instalação de um contêiner frigorífico ao lado do cemitério Tanque do Anil.
A chegada do equipamento virou caso de polícia. Agentes da Secretaria de Transportes e Serviços Públicos, além de fiscais da Secretaria de Segurança e da Guarda Municipal foram até o local checar uma denúncia de que corpos estavam sendo armazenados no contêiner de maneira irregular. Após constatar o fato, todos foram registrar ocorrência na 59 DPª (Duque de Caxias).
Mais de 10 pessoas morreram no bairro nos últimos dias. Todas com os sintomas da Covid-19. Quatro mortos eram da mesma família.
De acordo com um decreto municipal, do dia de 27 de abril, a concessionária que estava administrando os cemitérios da cidade precisava cumprir uma série de requisitos, e pedir licença aos órgãos competentes, para poder instalar o contêiner. Entretanto, nada disso foi feito, desrespeitando as regras municipais.
Além disso, os moradores acreditam que o local fica mais vulnerável com o frigorífico instalado ao lado do cemitério.
“Esse contêiner ali na porta do cemitério, um vento que bate traz todo o vírus pra cá. Por isso tá todo mundo dentro de casa, isolado, para sair de casa tem que usar máscara, luva e a prefeitura nada faz. Hoje, passou o carro da higienização, mas passou só em algumas ruas. Vai esperar o quê, morrer mais gente?”, questionou Leocina, moradora da comunidade.
Em nota, a empresa AG-R, esclareceu que o contêiner frigorífico funciona como medida de proteção e prevenção, não de armazenamento, pois a empresa não ultrapassa 24hs a partir da solicitação do serviço até o sepultamento. E acrescentou cumpre rigorosamente as leis ambientais e possui todas as licenças.
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