Prefeito de Cristianópolis decreta ‘lockdown’, mas volta atrás horas depois e revoga medida para conter o coronavírus


O primeiro decreto previa fechamento total da cidade, no chamado “lockdown”. O município não tem caso confirmado do novo vírus, mas os população se assustou após alguns moradores manterem contato com pessoas infectadas. Prefeitura de Cristianópolis decreta ‘lockdown’, mas desiste após algumas horas
Após moradores de Cristianópolis, a 90 km de Goiânia, manterem contato com pessoas infectadas com o coronavírus que moram em um município vizinho, o prefeito da cidade, Jairo Gomes (PSB), tomou a medida mais extrema de contenção ao novo vírus, chamada de ‘lockdown’, que prevê o fechamento de quase todo o comércio local, com exceção para áreas de saúde, farmácias e supermercados. Horas depois, o prefeito assinou um segundo decreto anulando a medida anterior.
O G1 procurou o prefeito para entender o motivo de determinar o “lockdown”, por ligação e mensagem de celular, mas não foram retornadas ou respondidas durante esta terça-feira (5).
A cidade não tem caso confirmado de coronavírus, segundo o balanço da Secretaria Estadual de Saúde, mas os moradores ficaram assustados com a confirmação de casos numa fazenda de um município vizinho. Alguns funcionários dessa fazenda moram em Cristianópolis.
Uma parte desses funcionários passou por testes para a doença Covid-19, que deu negativo. Outros ainda aguardam resultado do exame.
A cidade tem cerca de 3 mil habitantes e a economia é baseada na pecuária e agricultura. Com o sistema de “lockdown”, ninguém poderia andar nas ruas, entrar ou sair do município. Ficaria permitido apenas a saída de casa para compra de comida.
Cristianópolis tem 3 mil habitantes, em Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
“Não deu tempo de baixar as portas”
Comerciantes disseram que não tiveram tempo nem para fechar o comércio com a divulgação dos dois decretos em poucas horas.
“O decreto era para fechar todas as lojas, mas logo depois do almoço teve outro, aí já tivemos que voltar para a loja com as atividades normais” diz o vendedor Robson Pires da Silva.
“Eu tava terminando de almoçar e vi no celular, não deu tempo nem de baixar as portas porque já saiu outro decreto”, comenta a vendedora Miriam de Melo Magalhães.
Revogação
O primeiro decreto determinava o fechamento total dos órgãos Executivo e Legislativo, a proibição de circulação de pessoas na cidade e também as divisas com outros municípios por 15 dias.
No segundo decreto assinado pelo prefeito, ficaram suspensas apenas as atividades nos órgãos públicos, com exceção dos serviços de saúde. O uso de máscaras para circular na cidade continuou obrigatório.
Governo não pensa em “lockdown”
Em entrevista ao Popular, o governador do estado, Ronaldo Caiado (DEM), disse que não pretender implantar essa medida em Goiás.
“Nunca foi discutido essa situação de ‘lockdown’. O que existiu foi que na semana passada, nós detectamos uma queda significativa no isolamento social. Caso haja uma resistência em realmente não atender os protocolos, aí sim pensaremos num decreto para voltar a situação anterior”, analisou o governador.
Sessões plenárias suspensas
A presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Zuleikg Ribeiro Lemes (PP), determinou a suspensão das sessões plenárias presenciais, até a divulgação dos resultados dos moradores.
“Elas serão realizadas por videoconferência. Para isso, estamos instalando um sistema na Câmara para permitir essas videochamadas para a próxima segunda-feira [11]”, explica a vereadora.
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By Negócio em Alta